Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC) encerra 2025 com oficina de Arpilleras

18/03/2026 14:50

A arpillera é uma técnica de bordado com retalhos coloridos, bastante comum no sul do Chile e tradicionalmente utilizada por mulheres agricultoras. Durante a ditadura militar (1973–1990), essa prática cotidiana ganhou um novo sentido: em meio à censura e à violência, muitas mulheres – especialmente mães e esposas de presos e desaparecidos políticos – transformaram a arpillera em um instrumento político para denunciar a realidade e manter viva a resistência.

No Brasil, essa prática inspirou movimentos populares, especialmente o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Em oficinas e rodas de conversa, mulheres do campo e das águas passaram a bordar suas próprias narrativas: casas alagadas, territórios violados, mas também a força que brota da coletividade, do cuidado e da luta cotidiana.

No dia 05 de dezembro de 2025, para marcar a última atividade do ano do LERU, a pesquisadora e colaboradora Laura Cristina Pereira de Oliveira realizou uma oficina de arpillera com o tema “Agroecologia para Adiar o Fim do Mundo / para Viver”. O trabalho final expressa, em linhas e retalhos, as esperanças, os compromissos e os horizontes que orientam os sonhos mais profundos da nossa atuação: um lembrete de que imaginar outros futuros também é um gesto de esperança e, sobretudo, de resistência.

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Apresentação de projeto de pesquisa de mestrado sobre “Enchentes”

18/03/2026 14:23

No dia 26 de setembro de 2025, o Laboratório de Estudos Rurais (LERU) recebeu a apresentação do projeto de dissertação de Laura Cristina Pereira de Oliveira, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PGDR/UFRGS) e colaboradora do laboratório. A atividade integrou a agenda de intercâmbios acadêmicos do LERU, consolidando-se como um espaço de diálogo e reflexão coletiva sobre temas contemporâneos das dinâmicas rurais.

A pesquisa apresentada, intitulada “Análise de conjuntura sobre as enchentes no Alto Vale do Itajaí entre os anos de 2008 a 2024”, propõe uma abordagem crítica das políticas públicas voltadas às populações atingidas por desastres socioambientais no estado de Santa Catarina. Fundamentada na metodologia de análise de conjuntura, a investigação busca identificar os principais atores sociais envolvidos, seus interesses, estratégias e as correlações de forças que atravessam a formulação e implementação dessas políticas .

O trabalho destaca a recorrência das enchentes no Alto Vale do Itajaí como expressão de vulnerabilidades socioambientais historicamente construídas, associadas tanto a fatores territoriais quanto a escolhas políticas e institucionais. Ao privilegiar a perspectiva das populações do campo — incluindo agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais — a pesquisa contribui para o avanço de uma agenda analítica ainda pouco explorada no campo dos estudos rurais .

A apresentação no LERU fomentou um debate qualificado entre pesquisadores, estudantes e colaboradores, permitindo o aprofundamento de questões teórico-metodológicas e o intercâmbio de experiências entre diferentes trajetórias acadêmicas e institucionais. Destacou-se, nesse contexto, a relevância da articulação entre pesquisa científica e compromisso social, especialmente em temas que envolvem conflitos socioambientais e a atuação do Estado.

Essa troca reforça o papel do LERU como espaço de produção coletiva de conhecimento e de fortalecimento de redes de pesquisa comprometidas com a análise crítica das transformações no meio rural. A participação de Laura, enquanto pesquisadora em formação e colaboradora do laboratório, evidencia a importância da circulação de ideias e da construção conjunta de agendas de investigação, contribuindo para o adensamento teórico e empírico das pesquisas desenvolvidas no âmbito do LERU.

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