LERU fortalece projeto de extensão com a Aldeia Guarani M’Biguaçu durante os “23º Jogos Tradicionais”
Entre os dias 27 de abril e 02 de maio de 2026, a Aldeia Guarani M’Biguaçu sediou os “23º Jogos Tradicionais”, reunindo a comunidade local — com destaque para professores e estudantes da escola indígena — além da participação de outras aldeias Guarani do litoral catarinense. Mais do que um evento esportivo-cultural, os Jogos se afirmam como um espaço de fortalecimento da identidade, da memória e das práticas tradicionais do povo Guarani.
A participação do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/CCA/UFSC) ocorreu no âmbito do projeto de extensão “Sensibilização e apoio à realização de boas práticas, sustentáveis e saudáveis, em territórios de povos tradicionais e comunidades rurais e locais”, coordenado pela professora Karolyna Marin Herrera e o professor Valmir Stropasolas, desenvolvido em parceria com a Aldeia M’Biguaçu. Essa atuação reforça o compromisso do LERU com a construção conjunta de ações extensionistas, baseadas no diálogo de saberes e no respeito às dinâmicas socioculturais dos territórios tradicionais.
Diante dos desafios enfrentados pela comunidade Guarani na captação de recursos, o LERU mobilizou uma rede solidária que possibilitou a arrecadação e doação de alimentos orgânicos e materiais esportivos essenciais para a realização do evento. A iniciativa contou com a colaboração de agricultores familiares agroecológicos — especialmente das feiras do CCA e da Lagoa da Conceição — além do engajamento de professores e integrantes do Laboratório, evidenciando a articulação entre universidade e sociedade.
A programação teve início com uma cerimônia de abertura que incluiu roda de conversa e apresentação do Coral da Escola Indígena, seguida pelo início das atividades dos jogos tradicionais, que se estenderam ao longo da semana. Para além do apoio logístico, o LERU também atuou na dimensão formativa e de registro, com a participação do professor Valmir Luiz Stropasolas e da estudante-bolsista Gabrielle de Oliveira Rodrigues (Agronomia/CCA/UFSC e bolsista do LERU), responsáveis pela documentação audiovisual do evento.
Esse material integra um projeto em andamento de produção de um vídeo documentário sobre a cosmologia, o modo de vida e o território Guarani. Iniciado em 2025, o projeto envolve também a participação de outros estudantes como da Luana Paulino Luiz, do curso de Antropologia, e de discentes do curso de História, consolidando uma experiência interdisciplinar de extensão, pesquisa e formação acadêmica.
Como desdobramento, estão previstas novas etapas na Aldeia M’Biguaçu, incluindo a realização de entrevistas com lideranças, professores e estudantes Guarani, bem como a continuidade das ações vinculadas ao Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA).
A atuação do LERU nesse contexto reafirma a extensão universitária como prática comprometida com a transformação social, contribuindo para a valorização dos saberes tradicionais, o fortalecimento cultural e a promoção de práticas sustentáveis nos territórios.

















Entrega do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena M’Biguaçu. Na foto: Hyral Moreira (Funai Regional Litoral/SC), caciça Celita Antunes, Ministra Sonia Guajajara, e Kerexu Yxapyry (secretária de Direito Ambiental e Territorial Indígena do MPI)