Farinha artesanal de mandioca de Garopaba: articulação busca viabilizar fornecimento para a merenda escolar

01/10/2026 17:00

Reunião entre UFSC, Epagri e secretarias municipais definiu estratégias para ampliar a participação dos engenhos locais no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

No dia 27 de agosto, representantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e de diferentes secretarias municipais reuniram-se na Secretaria Municipal de Educação de Garopaba (SC) para discutir estratégias de inclusão da farinha artesanal de mandioca produzida nos engenhos do município na alimentação escolar, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

O encontro foi coordenado pelo Escritório Municipal da Epagri e integrou as ações do projeto “Inclusão Produtiva com Segurança Sanitária da Farinha Artesanal de Mandioca de Garopaba”, coordenado pelo professor Cristiano Desconsi, e projeto vinculado ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU) da UFSC.

Participaram da reunião, pelo LERU/UFSC, o professor Cristiano Desconsi; Tiago Bini, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAdm/UFSC); e Victória Scharcow de Vargas, bolsista voluntária. Também estiveram presentes nutricionistas da Secretaria Municipal de Educação, extensionistas dos escritórios Municipal e Regional da Epagri, representantes das Secretarias Municipais de Cultura, Agricultura e Pesca e Saúde, incluindo a Vigilância Sanitária.

Durante a reunião, foram discutidos os principais desafios fiscais, sanitários e organizativos que precisam ser enfrentados para viabilizar a compra da farinha artesanal de mandioca produzida nos engenhos de Garopaba para a merenda escolar do município.

Garopaba já realizou aquisições de farinha artesanal de mandioca por meio do PNAE, provenientes de empreendimentos da agricultura familiar. Entretanto, essas compras ainda não contemplaram os engenhos de farinha localizados no próprio município. A discussão concentrou-se, portanto, na identificação das condições necessárias para que os produtores locais possam acessar essa oportunidade de comercialização, considerando as exigências envolvidas na aquisição e no fornecimento de alimentos para a rede pública de ensino.

A aproximação entre os setores responsáveis pela alimentação escolar, pela agricultura, pela extensão rural e pela vigilância sanitária constitui uma etapa importante para identificar possíveis adequações, esclarecer procedimentos e construir alternativas que articulem a produção artesanal às demandas da política pública de alimentação escolar.

Como encaminhamento, foram definidas estratégias conjuntas a serem desenvolvidas nos próximos meses, com o objetivo de avançar na superação dos desafios identificados e viabilizar o fornecimento da farinha artesanal de mandioca pelos engenhos do próprio município a partir do próximo ano.

A iniciativa busca aproximar a produção tradicional de farinha das oportunidades de comercialização oferecidas pelas políticas públicas, fortalecendo os vínculos entre agricultura familiar, produção artesanal e alimentação escolar.

Para o projeto desenvolvido pelo LERU/UFSC, essa articulação representa um passo importante na construção de alternativas de inclusão produtiva associadas à segurança sanitária da farinha artesanal de mandioca. Ao reunir diferentes instituições e áreas de atuação, o trabalho contribui para a valorização dos engenhos locais, dos conhecimentos envolvidos na produção tradicional e das possibilidades de inserção desse produto nas compras públicas municipais.

A continuidade das ações dependerá do trabalho conjunto entre os atores envolvidos, buscando criar condições para que a farinha artesanal produzida em Garopaba possa integrar, de forma efetiva, a alimentação escolar e fortalecer a relação entre produção local e políticas públicas.

Tags: Engenho de FarinhaFarinha artesanalGaropabaPNAE

Pesquisadores do LERU apresentam estudos sobre agroecologia, cooperativismo e mercados territoriais no Congresso Mundial de Sociologia Rural

31/08/2026 16:58

 Os pesquisadores Daniela Aparecida Pacífico e Cristiano Desconsi, do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), participaram do 16th World Congress of Rural Sociology, realizado entre os dias 19 e 23 de julho de 2026, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS).

O evento reuniu pesquisadores e pesquisadoras dedicados à análise das transformações contemporâneas no meio rural e nos sistemas agroalimentares. A participação dos pesquisadores do LERU contribuiu para dar visibilidade à produção científica desenvolvida pelo Laboratório, articulando diferentes dimensões dos estudos rurais, como agroecologia, produção de conhecimentos, políticas públicas, cooperativismo, mercados territoriais e formas de organização econômica.

Durante o Congresso, foram apresentados três trabalhos vinculados a pesquisas desenvolvidas pelos pesquisadores do LERU, abordando diferentes experiências e processos relacionados às transformações dos sistemas agroalimentares e às dinâmicas sociais, institucionais e territoriais do meio rural.

  1. Coprodução do conhecimento agroecológico e tecnologias nos contextos de NEA e CVT

A pesquisadora Daniela Aparecida Pacífico, em coautoria com Carla Gualdani, Regina Helena Rosa Sambuichi, Mariana Aquilante Policarpo e Fábio Alves, apresentou o trabalho Co-production of Agroecological Knowledge: Technologies and Practices in NEA and CVT Institutional Contexts, vinculado à área temática IRSA 28 – Pathways for Food Democracy and Agrifood Justice in Territorial Food Systems. O estudo foi desenvolvido junto da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (DIRUR) do IPEA, entre 2022 e 2024, e esteve relacionado à análise dos bioinsumos produzidos e utilizados no âmbito dos Núcleos de Estudos em Agroecologia (NEA) e dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT).

A pesquisa compreende os NEA e CVT como institucionalidades situadas em universidades e institutos federais, constituídas por meio de editais públicos do CNPq e caracterizadas pela articulação entre universidade, agricultores, organizações sociais e territórios. A partir da abordagem da coprodução do conhecimento, de Jasanoff (2004), o estudo analisa a produção técnico-científica desses núcleos não apenas como resultados de pesquisa, mas como espaços de constituição simultânea de conhecimentos, práticas e formas institucionais da agroecologia. Para isso, foi realizada uma revisão sistemática de 176 estudos, abrangendo todas as regiões do Brasil e envolvendo 71 NEA e 5 CVT, com trabalhos que contemplam desde ações educativas, organização social e comercialização até manejo, práticas produtivas, insumos biológicos, transição agroecológica e sistemas agroflorestais.

Entre os principais resultados, a pesquisa identificou duas racionalidades metodológicas na produção do conhecimento agroecológico. A primeira é mais experimental e laboratorial e compreende a tecnologia como produto, especialmente no desenvolvimento de bioinsumos-produto realizado dentro dos espaços institucionais. A segunda é mais territorial, relacional e sistêmica e compreende a tecnologia como processo, associada a dinâmicas de manejo, experimentação e troca de saberes desenvolvidas nos territórios. Essas racionalidades se relacionam a três formas de institucionalização da agroecologia identificadas no estudo: científico-institucional, territorial-relacional e científico-territorial, esta última combinando atividades realizadas dentro e fora dos espaços institucionais.

Os resultados evidenciam que a contribuição dos NEA e CVT ultrapassa a geração ou o resgate de tecnologias agroecológicas. Sua principal contribuição está na construção de formas coletivas e territorializadas de produção do conhecimento, nas quais ciência, práticas sociais e processos ecológicos são coproduzidos. Assim, a forma de produzir conhecimento nesses espaços revela diferentes modos de institucionalização da agroecologia e diferentes possibilidades de articulação entre ciência, território e sujeitos sociais, reforçando o papel dos NEA e CVT como importantes espaços de construção e institucionalização do conhecimento agroecológico no Brasil.

DOI: 10.29327/9786527226680.1447166. O trabalho completo está disponível nos anais do evento:
Co-production of Agroecological Knowledge: Technologies and Practices in NEA and CVT Institutional Contexts

  1. Programa Mais Gestão e fortalecimento das cooperativas da agricultura familiar

O pesquisador Cristiano Desconsi, em coautoria com Fábio Luiz Búrigo, Rui Alvacir Netto e Marcelos João Alves, apresentou o trabalho Mais Gestão Program: Analysis of the Processes and Results Generated by the Management Advisory Project for Family Farming Cooperatives in Southern Brazil, inserido na área temática IRSA 31 – Cooperatives and Their Role for a Sustainable Rural Future.

O artigo analisa a experiência do Projeto Mais Gestão Sul, que abrangeu 68 organizações da região Sul do Brasil entre 2024 e 2025, tendo a Universidade Federal de Santa Catarina como instituição executora.

A pesquisa discute os desafios enfrentados por cooperativas de agricultores familiares e assentados da reforma agrária, especialmente no que se refere à qualificação dos processos de gestão e organização. A partir de informações quantitativas e qualitativas produzidas no âmbito do projeto, o estudo reflete sobre as relações entre gestão, governança cooperativa e sustentabilidade.

Os resultados evidenciam a importância das políticas públicas voltadas à qualificação dos processos gerenciais e organizativos das cooperativas, bem como a necessidade de desenvolver metodologias e técnicas de gestão próprias para organizações cooperativas, capazes de considerar sua heterogeneidade social, econômica e seus diferentes objetivos.

DOI: 10.29327/9786527226680.1442073. O trabalho completo pode ser acessado nos anais do Congresso:
Mais Gestão Program: Analysis of the Processes and Results Generated by the Management Advisory Project for Family Farming Cooperatives in Southern Brazil

  1. Mercados de reciprocidade e valoração moral nos engenhos de farinha de Garopaba

Também foi apresentado por Cristiano Desconsi, em coautoria com Tiago José Bini, Rene Birochi, Daniela Pacífico e Vinícius Dequi Forcelini, o trabalho Mercados de Reciprocidade e Valoração Moral em Mercados Territoriais: o Caso dos Engenhos de Farinha de Garopaba/SC, vinculado à área temática IRSA 39 – Territorial Markets as Spaces of Value.

A pesquisa analisa os mercados agroalimentares territoriais a partir do estudo da produção artesanal de farinha de mandioca em engenhos tradicionais de Garopaba, em Santa Catarina. Com base em pesquisa de campo realizada em 2025, o estudo investiga como instituições, relações sociais e normas comunitárias influenciam a organização dos mercados, as formas de circulação da produção e os processos de formação de preços.

O trabalho articula contribuições da sociologia econômica e da antropologia econômica, mobilizando as noções de enraizamento das ações econômicas, economia socialmente incrustada e reciprocidade. A análise evidencia a coexistência, nos engenhos de farinha, de trocas mercantis, práticas de reciprocidade e circuitos de autoconsumo, conformando uma economia plural orientada à reprodução social das famílias e da comunidade.

Os resultados indicam ainda que os preços não são definidos exclusivamente por mecanismos impessoais de oferta e demanda. Ao contrário, envolvem processos sociais de valoração e coordenação, expectativas compartilhadas, julgamentos morais e normas comunitárias. Dessa forma, o preço assume caráter relacional e ajustável, sendo negociado de acordo com as relações sociais e as condições dos compradores.

DOI: 10.29327/9786527226680.1442093. O trabalho está disponível nos anais do evento:
Mercados de Reciprocidade e Valoração Moral em Mercados Territoriais: o Caso dos Engenhos de Farinha de Garopaba/SC

A participação no 16th World Congress of Rural Sociology evidencia a inserção do LERU em debates contemporâneos da Sociologia Rural e dos Estudos Rurais, ao mesmo tempo em que amplia a circulação internacional de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Santa Catarina.

Os três trabalhos apresentados expressam diferentes frentes de investigação desenvolvidas pelos pesquisadores do Laboratório: a coprodução de conhecimentos e tecnologias agroecológicas, as políticas de fortalecimento das organizações cooperativas da agricultura familiar e os processos sociais de constituição e valoração dos mercados territoriais.

A participação da professora Daniela Aparecida Pacífico e do professor Cristiano Desconsi no Congresso também reafirma o compromisso do LERU com a produção e a disseminação de conhecimentos sobre as transformações dos mundos rurais, valorizando abordagens que articulam dimensões sociais, econômicas, tecnológicas, institucionais e territoriais.

Tags: AgroecologiaFarinha artesanalGaropabaPolíticas públicas

Projeto de extensão promove oficina sobre boas práticas na produção artesanal de farinha de mandioca em Garopaba/SC

24/04/2026 00:53

 

No dia 9 de abril de 2026, o projeto de extensão “Inclusão produtiva com segurança sanitária da farinha de mandioca artesanal de Garopaba/SC”, coordenado pelo professor Cristiano Desconsi, realizou mais uma importante atividade junto à comunidade de produtores de farinha artesanal do município de Garopaba. O projeto é financiado por meio de convênio com a Prefeitura Municipal de Garopaba e busca fortalecer a produção tradicional local, articulando valorização cultural, inclusão produtiva e segurança sanitária.

A atividade consistiu em uma oficina de boas práticas na produção artesanal da farinha de mandioca nos engenhos da região, ministrada pela professora Carmen Müller, do curso de graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina e integrante da equipe do projeto.

O encontro foi marcado por uma intensa troca de saberes entre universidade e comunidade. Durante a oficina, foram abordados temas relacionados às boas práticas de produção, desde os procedimentos adequados de sanitização até os cuidados com a armazenagem da farinha. Também foram destacadas as excelentes características físicas da farinha produzida nos engenhos locais, especialmente em função de sua baixa umidade, fator importante para a qualidade e conservação do produto. Como apoio às orientações apresentadas, foi distribuído um folder informativo para auxiliar os participantes no acompanhamento das recomendações discutidas.

Após o momento expositivo, a atividade seguiu com uma roda de conversa, em que produtores e participantes puderam compartilhar dúvidas, experiências e solicitar sugestões à professora. O diálogo reforçou a importância da construção coletiva do conhecimento e do reconhecimento dos saberes tradicionais envolvidos na produção artesanal da farinha de mandioca.

Encerrando a atividade, houve um momento de confraternização com alimentos típicos da tradição dos engenhos, proporcionando integração entre os participantes e ampliando os espaços de diálogo entre comunidade, pesquisadores e instituições parceiras.

A equipe do projeto agradece a presença de todos os participantes, à Secretaria de Turismo de Garopaba pelo apoio no convite e na organização do evento, à EPAGRI pela participação na atividade e à professora Carmen Müller por compartilhar seus conhecimentos e contribuir com o fortalecimento da produção artesanal local.

Tags: Engenho de FarinhaExtensãoGaropaba

Farinha artesanal de mandioca de Santa Catarina é reconhecida como patrimônio cultural do Brasil

19/03/2026 12:37

No dia 11 de março de 2026, o Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reconheceu a farinha artesanal de mandioca do litoral de Santa Catarina como patrimônio cultural imaterial do Brasil. A decisão foi tomada durante sessão realizada no Rio de Janeiro, que contou também com possibilidade de participação híbrida.

No município de Garopaba, representantes dos engenhos de farinha acompanharam a sessão ao vivo, reunidos no Engenho de Farinha do João. Estiveram presentes mais de vinte homens e mulheres ligados aos engenhos do município, além de representantes da Rede Catarinense dos Engenhos de Farinha e da Prefeitura Municipal, por meio de diferentes secretarias.

O Laboratório de Estudos Rurais (LERU), do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina, foi convidado a participar do encontro em Garopaba e esteve representado pelo professor Cristiano Desconsi, coordenador do projeto Inclusão Produtiva com Segurança Sanitária da Farinha Artesanal de Garopaba, projeto realizado em parceria com os engenhos. Também estiveram presentes estudantes do LERU, Vinicius Forcellini (bolsista do projeto), Luana Paulino Luiz, Gabrielle de Oliveira Rodrigues e Victória Scharcow de Vargas.

O reconhecimento da farinha artesanal como patrimônio cultural imaterial representa uma conquista significativa para as comunidades envolvidas na produção tradicional de farinha de mandioca no litoral catarinense. Trata-se de um processo que valoriza o saber-fazer associado aos engenhos de farinha, resultado de um trabalho construído coletivamente ao longo dos últimos anos, envolvendo produtores locais, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e órgãos públicos, entre eles a Rede Catarinense dos Engenhos de Farinha, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e o Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro), além da Universidade Federal de Santa Catarina.

Esse reconhecimento também reforça a importância de iniciativas voltadas à valorização e à continuidade dos engenhos de farinha, tema que segue mobilizando diferentes ações de pesquisa e extensão no LERU. Ao longo de 2026, a equipe do laboratório deverá dar continuidade às atividades desenvolvidas junto aos produtores e produtoras do município, em diálogo com as iniciativas já em curso voltadas à valorização da farinha artesanal.

A sessão do Conselho Consultivo do IPHAN está disponível, clique aqui.

Tags: Farinha artesanalGaropabaLeru

Encerramento da Farinhada em Garopaba/SC e o projeto de visibilização dos Engenhos

09/09/2025 18:19

 

No último sábado, membros do LERU participaram de uma Roda de Conversa Técnica, durante a 4ª Festa de Encerramento da Farinhada, em Garopaba/SC. A atividade teve como objetivo apresentar ações e resultados preliminares do Projeto de Extensão desenvolvido entre o LERU e a Prefeitura. Na ocasião, foi entregue a Cartilha de controle de custos e precificação da farinha de mandioca artesanal. O projeto é denominado Inclusão produtiva com segurança sanitária da farinha de mandioca artesanal de Garopaba/SC, e tem fortalecido um processo de resgate e de visibilização dos engenhos de farinha de mandioca do município, sob a coordenação do professor Dr. Cristiano Desconsi, registrado no SIGPEX sob o nº 202413953.

Tags: Agricultura familiarAgroecologiaComunidade tradicionalFarinha artesanalGaropaba