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Financeirização e digitalização da agricultura em debate: Professor do LERU apresenta pesquisas no CPDA/UFRRJ
O professor Cristiano Desconsi, vinculado ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU) e ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), coordena, no âmbito do laboratório, o projeto de pesquisa “Interfaces entre processos de financeirização e digitalização na agricultura: análise sobre inovações no financiamento privado às commodities agrícolas no Brasil”, no qual investiga as transformações recentes nos mecanismos de financiamento do setor agropecuário. Neste contexto, o professor foi convidado a participar do Ateliê de Pesquisa Transformação digital, Estado e Agricultura no Brasil: escolhas metodológicas e caminhos de pesquisa, realizado nos dias 19 e 20 de março de 2026, no CPDA/UFRRJ, no Rio de Janeiro.
Durante o evento, o docente realizou duas apresentações, articuladas em torno da análise dos processos contemporâneos de digitalização e financeirização da agricultura no Brasil. No primeiro dia (19/03), apresentou o trabalho intitulado “Ecossistemas de inovação: rotas da financeirização da agricultura digital no Brasil”, no qual discutiu a constituição de ecossistemas de inovação como configurações sociotécnicas que orientam trajetórias específicas de digitalização no meio rural. A exposição destacou a centralidade dos processos de financeirização — entendidos como a crescente predominância de lógicas financeiras na geração de valor — e sua articulação com modelos de negócios baseados em startups, plataformas digitais e capital de risco .
A partir de evidências empíricas e análise conceitual, o professor problematizou os limites desses ecossistemas, especialmente no que se refere à sua capacidade de responder às demandas de atores com menor inserção nos mercados dominantes, como agricultores familiares e sistemas produtivos não orientados por commodities. Argumentou, nesse sentido, que as rotas de digitalização tendem a favorecer modelos agrícolas predominantes, reforçando assimetrias já existentes nos sistemas agroalimentares.
No segundo dia (20/03), apresentou a pesquisa “Fintechs no crédito para a agricultura”, na qual analisa as transformações na oferta de serviços financeiros no meio rural a partir da emergência de fintechs especializadas em crédito agrícola. O estudo evidencia como a digitalização reconfigura os mecanismos de concessão de crédito, incorporando novos atores, dispositivos tecnológicos e formas de análise de risco baseadas em dados e plataformas digitais, em contraste com os modelos tradicionais do Sistema Nacional de Crédito Rural.
A pesquisa também destaca a articulação entre fintechs, fundos de investimento e plataformas de gestão e rastreabilidade, evidenciando a formação de redes sociotécnicas complexas que sustentam a expansão dessas modalidades de financiamento. Entre os principais achados, ressalta-se a predominância de operações de curto prazo, voltadas às cadeias de commodities, bem como a flexibilização regulatória que tem permitido a ampliação da atuação dessas organizações no mercado financeiro rural.
A participação do professor no ateliê reforça a inserção do LERU em debates contemporâneos sobre transformação digital, financeirização e ação pública no meio rural, contribuindo para o avanço de agendas de pesquisa que articulam sociologia econômica, estudos sociais da tecnologia e desenvolvimento rural.
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Professor do LERU participa de reunião na Aldeia Guarani M’Biguaçu e trata das ações do Plano de Gestão Territorial
No dia 19 de março de 2026, foi realizada, na Aldeia Guarani M’Biguaçu, a primeira reunião voltada à retomada das ações vinculadas ao Plano de Gestão Territorial, elaborado em 2023 com a participação do professor Valmir Luiz Stropasolas, do Laboratório de Estudos Rurais (LERU). A atividade contou com a presença do professor e da bolsista Luana Paulino Luiz, que participaram das discussões sobre a construção dos projetos específicos previstos no plano.
A reunião teve como foco o encaminhamento de iniciativas temáticas que integram o Plano de Gestão Territorial da aldeia, entre elas projetos relacionados às plantas medicinais, à alimentação, à roça e aos jogos tradicionais, dentre outros. A definição desses projetos representa um passo importante no desdobramento prático do plano, na medida em que busca responder a demandas e prioridades construídas em diálogo com a própria comunidade.
Outro ponto tratado no encontro foi a elaboração de um vídeo sobre o modo de vida e o território guarani, atividade que vem sendo conduzida pelo professor Valmir e pela bolsista Luana, em parceria com estudantes do curso de História da Universidade Federal de Santa Catarina. O material audiovisual abordará diferentes dimensões do território, incluindo as matas, as fontes de água, as áreas de morro, o roçado, as moradias, a escola e a casa de reza, evidenciando elementos centrais da organização social, cultural e territorial da comunidade.
A previsão é que o vídeo sobre o modo de vida seja apresentado durante a semana cultural da aldeia “Tchondaro Vy’a 2026”, programada para ocorrer entre os dias 27 de abril e 2 de maio de 2026. A iniciativa busca contribuir para a valorização do território guarani e para o fortalecimento das memórias, saberes e práticas associadas à vida comunitária.
Tanto a retomada dos projetos específicos do Plano de Gestão Territorial quanto a produção do vídeo integram as ações do projeto de extensão “Sensibilização e apoio à realização de boas práticas, sustentáveis e saudáveis, em territórios de povos tradicionais e comunidades rurais e locais”, reafirmando o compromisso do LERU com ações extensionistas desenvolvidas em diálogo com povos tradicionais e com a promoção de práticas territorialmente situadas, participativas e socialmente referenciadas.
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LERU implementa bolsas de extensão PROBOLSAS/UFSC
O Laboratório de Estudos Rurais realizou, em fevereiro de 2026, processo seletivo para a implementação de três bolsas de extensão no âmbito do Edital nº 08/2025/PROEX – PROBOLSAS. Ao todo, foram recebidas 12 inscrições, das quais três estudantes foram selecionados para atuação em projetos de extensão vinculados às atividades do laboratório.
As bolsas, com vigência de março a dezembro de 2026, preveem dedicação de 20 horas semanais e inserem os estudantes em iniciativas que articulam ensino, pesquisa e extensão, com foco em temas estratégicos do desenvolvimento rural, da agroecologia e da gestão de territórios.
Os bolsistas selecionados atuarão em três projetos de extensão coordenados por docentes do LERU. O primeiro, “UBUNTU: Africanidades, identidades, costumes, culturas e práticas alimentares”, coordenado pela professora Daniela Aparecida Pacífico, tem como objetivo promover a integração da comunidade africana no Centro de Ciências Agrárias, bem como desenvolver dialogar sobre as agriculturas africanas e fomentar a troca de conhecimentos entre diferentes nacionalidades, sob a perspectiva de uma educação antirracista.
O segundo projeto, “Sensibilização e apoio à realização de boas práticas, sustentáveis e saudáveis, em territórios de povos tradicionais e comunidades rurais e locais”, coordenado pela professora Karolyna Marin Herrera, visa à realização de atividades extensionistas – como rodas de conversa, oficinas, dias de campo e mutirões – voltadas à promoção da gestão coletiva e participativa de territórios sustentáveis e saudáveis, envolvendo comunidades tradicionais e rurais.
O terceiro projeto, “Gestão dos custos e precificação de produtos de qualidade: acompanhamento e análise em empreendimentos rurais”, coordenado pelo professor Cristiano Desconsi, tem como foco o assessoramento gerencial de empreendimentos rurais, por meio do levantamento e da análise dos custos de produção, processamento e comercialização, contribuindo para a qualificação da gestão econômica desses estabelecimentos.
O processo seletivo foi estruturado conforme previsto em edital, garantindo a conformidade com os critérios institucionais do programa.
A implementação das bolsas reforça o papel do LERU na formação acadêmica de estudantes de graduação e na consolidação de ações extensionistas voltadas à produção de conhecimento socialmente referenciado, em diálogo com diferentes públicos e territórios.
As informações sobre o edital e o resultado podem se conferidas Aqui.
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Farinha artesanal de mandioca de Santa Catarina é reconhecida como patrimônio cultural do Brasil
No dia 11 de março de 2026, o Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reconheceu a farinha artesanal de mandioca do litoral de Santa Catarina como patrimônio cultural imaterial do Brasil. A decisão foi tomada durante sessão realizada no Rio de Janeiro, que contou também com possibilidade de participação híbrida.
No município de Garopaba, representantes dos engenhos de farinha acompanharam a sessão ao vivo, reunidos no Engenho de Farinha do João. Estiveram presentes mais de vinte homens e mulheres ligados aos engenhos do município, além de representantes da Rede Catarinense dos Engenhos de Farinha e da Prefeitura Municipal, por meio de diferentes secretarias.
O Laboratório de Estudos Rurais (LERU), do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina, foi convidado a participar do encontro em Garopaba e esteve representado pelo professor Cristiano Desconsi, coordenador do projeto Inclusão Produtiva com Segurança Sanitária da Farinha Artesanal de Garopaba, projeto realizado em parceria com os engenhos. Também estiveram presentes estudantes do LERU, Vinicius Forcellini (bolsista do projeto), Luana Paulino Luiz, Gabrielle de Oliveira Rodrigues e Victória Scharcow de Vargas.
O reconhecimento da farinha artesanal como patrimônio cultural imaterial representa uma conquista significativa para as comunidades envolvidas na produção tradicional de farinha de mandioca no litoral catarinense. Trata-se de um processo que valoriza o saber-fazer associado aos engenhos de farinha, resultado de um trabalho construído coletivamente ao longo dos últimos anos, envolvendo produtores locais, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e órgãos públicos, entre eles a Rede Catarinense dos Engenhos de Farinha, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e o Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro), além da Universidade Federal de Santa Catarina.
Esse reconhecimento também reforça a importância de iniciativas voltadas à valorização e à continuidade dos engenhos de farinha, tema que segue mobilizando diferentes ações de pesquisa e extensão no LERU. Ao longo de 2026, a equipe do laboratório deverá dar continuidade às atividades desenvolvidas junto aos produtores e produtoras do município, em diálogo com as iniciativas já em curso voltadas à valorização da farinha artesanal.
A sessão do Conselho Consultivo do IPHAN está disponível, clique aqui.
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Professor do LERU debate boas práticas na administração rural em Águas Mornas/SC
No dia 6 de fevereiro de 2026, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Águas Mornas sediou um encontro voltado à troca de conhecimentos, ao diálogo e ao fortalecimento de redes no meio rural. A atividade contou com a participação do professor Cristiano Desconsi, pesquisador do Laboratório de Estudos Rurais, e do doutorando Tiago Bini, do Programa de Pós-graduação em Administração, convidados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), no âmbito do programa ALI Rural.
A palestra abordou o tema “Boas práticas na administração rural”, enfatizando a importância da gestão estratégica das unidades produtivas, da organização financeira e da incorporação de inovações como elementos centrais para a sustentabilidade econômica e produtiva no meio rural. Durante o encontro, foram discutidas estratégias voltadas ao aprimoramento do planejamento da produção e à qualificação da tomada de decisão.
O programa ALI Rural caracteriza-se como uma iniciativa gratuita e personalizada, voltada a agricultores e agricultoras. Sua metodologia baseia-se no acompanhamento contínuo por um Agente Local de Inovação, que atua diretamente junto ao empreendimento ao longo de doze meses. Nesse período, são realizados diagnósticos detalhados, a proposição de soluções e o monitoramento da implementação das ações, com mensuração de resultados a partir de indicadores como aumento do faturamento e/ou redução de custos.
Adicionalmente, o ALI Rural incentiva a inserção dos produtores em circuitos de comercialização, incluindo feiras e rodadas de negócios, e promove a ampliação das redes de contato, contribuindo para a dinamização socioeconômica dos territórios rurais.
A realização do encontro em Águas Mornas reforça o papel do Laboratório de Estudos Rurais e das instituições de apoio na promoção de processos de desenvolvimento rural, baseados em conhecimentos técnico científicos, na inovação e na valorização das práticas de gestão no contexto da agricultura contemporânea.
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Missão internacional fortalece cooperação Brasil–França: professora do LERU ministra aula e acompanha dupla diplomação na Bordeaux Sciences Agro

A professora Daniela Aparecida Pacífico, vinculada ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU) e ao Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas da Universidade Federal de Santa Catarina, realizou missão de trabalho na École Nationale Supérieure des Sciences Agronomiques Bordeaux Sciences Agro, na França, no período de 19 de fevereiro a 08 de março de 2026. A atividade foi desenvolvida no âmbito do projeto de cooperação internacional CAPES/Brafagri 2023–2026, no qual a docente atua como coordenadora nacional.
A missão teve como objetivos centrais o acompanhamento de estudantes brasileiros em mobilidade acadêmica — oriundos da UFSC e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia —, bem como a realização de atividades de ensino na BSA. Atualmente, quatro estudantes da UFSC encontram-se em processo de dupla diplomação na instituição francesa, o que evidencia a consolidação da parceria e a relevância do programa para a formação internacional de estudantes de Agronomia.
No âmbito das atividades de ensino, a professora ministrou aula no módulo « Transition agroécologique et conseil », vinculado à especialização Agroécologie et gestion des ressources (AGROGER). A aula ministrada foi intitulada « L’action publique face à la transition agroécologique au Brésil », e inseriu-se no esforço de qualificar o debate internacional acerca das políticas públicas e dos processos de transição agroecológica.
O módulo é coordenado pelo professor Jean-Philippe Fontenelle, também responsável pela coordenação do projeto Brafagri no lado francês. Trata-se de um módulo intensivo, estruturado em duas semanas de atividades: a primeira dedicada aos conteúdos teóricos, desenvolvidos em sala de aula em Bordeaux, e a segunda voltada ao trabalho de campo, realizado, nesta edição, na comuna de Lalinde, no departamento da Dordogne, região da Nouvelle-Aquitaine, a aproximadamente 1h30 de Bordeaux.
A proposta pedagógica do módulo articula diferentes abordagens disciplinares, mobilizando docentes responsáveis e professores convidados para a condução dos conteúdos teóricos. A etapa de campo, por sua vez, desenvolvida sob a coordenação do responsável pela disciplina e com a participação das professoras da BSA, Josephine Demay e Laure de Rességuier, integra distintas metodologias de investigação em torno de um tema comum. Na edição de 2026, o tema central foi o uso da água para a produção agrícola, abordado a partir de múltiplas perspectivas analíticas.
Destaca-se, nesse processo, o protagonismo dos estudantes — ao todo, 18 participantes —, que se organizam coletivamente para a realização de entrevistas com diferentes atores e instituições no território investigado. Entre os interlocutores, incluem-se agricultores, gestores públicos locais, técnicos, engenheiros, representantes de ministérios, associações, agências de água e lideranças sindicais. A partir desse trabalho empírico, os estudantes sistematizam os resultados por meio da elaboração coletiva de mapas mentais e, em seguida, da produção de um policy briefs, contendo análises e recomendações direcionadas aos tomadores de decisão no território.
Para além das atividades de ensino, acompanhadas integralmente pela professora Daniela (etapa de sala de aula e de campo), a missão incluiu reuniões com o setor de relações internacionais da BSA e encontros com os estudantes brasileiros em mobilidade, ambas iniciativas fundamentais para o fortalecimento da cooperação institucional. As atividades desenvolvidas evidenciam o papel estratégico do projeto CAPES/Brafagri na promoção da internacionalização do ensino superior e na formação de profissionais capacitados para atuar frente aos desafios contemporâneos da agricultura.
A participação da professora Daniela, além de contribuir para a continuidade e consolidação do projeto CAPES/Brafagri no curso de Agronomia do CCA/UFSC, reafirma o compromisso do LERU com a articulação entre pesquisa, ensino e cooperação internacional, fortalecendo redes acadêmicas e promovendo a circulação de conhecimentos entre Brasil e França no campo dos estudos rurais e da agroecologia.
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O LERU e o BRAFAGRI – intercâmbios para França
Professores vinculados ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU) integram a equipe do projeto Brafagri para o período 2026/2029, intitulado “Formação para ação na agricultura familiar frente a mudanças globais”, sob coordenação do professor Paulo Emílio Lovato. A iniciativa reúne as instituições brasileiras, UFSC (que detém a coordenação nacional do projeto), UFRB e UFPA, e francesas, Bordeaux Science Agro (coordenação francesa), Institut Agro Dijon e VetAgro Sup de Clermont Ferrand em um acordo de cooperação técnica bilateral voltado à formação acadêmica, pesquisa e inovação nas áreas de Agronomia.
O projeto tem como objetivo central aprofundar e perenizar parcerias internacionais por meio de intercâmbios acadêmicos, com destaque para a implementação e ampliação de duplos diplomas, a realização de pesquisas conjuntas e a aplicação social do conhecimento produzido. A proposta está ancorada na relevância da agricultura familiar, considerada estratégica tanto no contexto brasileiro quanto francês, especialmente diante dos desafios contemporâneos relacionados à segurança alimentar, às mudanças climáticas e à sustentabilidade dos sistemas produtivos. Do lado brasileiro, o projeto é financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES) e, do lado francês, Comitê Francês composto por representantes Ministère de l’Europe et des Affaires Étrangères (MEAE), de l’Ambassade de France au Brésil e dos representantes do Ministère de l’Agriculture et de la Souveraineté alimentaire (MASA).
No âmbito do LERU, destacam-se as participações das professoras Daniela Aparecida Pacífico e Karolyna Marin Herrera, bem como do professor Cristiano Desconsi, que integram a equipe brasileira do projeto na UFSC. Suas trajetórias acadêmicas, vinculadas aos estudos sobre desenvolvimento rural, políticas públicas, agroecologia e dinâmicas sociais no campo, contribuem para o fortalecimento da dimensão interdisciplinar da proposta.
A participação desses docentes reforça a inserção do LERU em redes internacionais de pesquisa e formação, ampliando as possibilidades de cooperação científica e de mobilidade acadêmica para estudantes e pesquisadores. O projeto prevê a realização de 27 intercâmbios de estudantes de graduação, das três instituições brasileiras, ao longo de sua vigência, além da consolidação de acordos de dupla diplomação, missões de trabalho docente e produção científica conjunta, evidenciando seu potencial estruturante para a internacionalização do ensino superior.
A presença do LERU no projeto Brafagri 2026/2029 reafirma o compromisso do laboratório com a análise crítica das transformações nos sistemas agrícolas e com a formação de profissionais capacitados para atuar frente aos desafios globais que atravessam a agricultura contemporânea. Ao articular pesquisa, ensino e cooperação internacional, a iniciativa contribui para o fortalecimento de uma agenda científica voltada à promoção de sistemas agroalimentares mais sustentáveis, inclusivos e socialmente justos.
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LERU recebe mais uma doação de livros realizada pesquisadora Maria Ignez Paulilo
No dia 12 de dezembro de 2025, o Laboratório de Estudos Rurais (LERU) recebeu uma nova e significativa doação de livros realizada pela pesquisadora e professora aposentada da UFSC, Maria Ignez Paulilo. Ao todo, mais de 300 obras foram incorporadas ao acervo do laboratório, ampliando de forma expressiva as possibilidades de pesquisa e formação acadêmica no campo dos estudos rurais.
A doação foi recebida pelas professoras Karolyna Marin Herrera e Daniela Aparecida Pacífico, juntamente com a colaboradora Laura Cristina Pereira de Oliveira, em um momento marcado pelo reconhecimento da relevância intelectual e acadêmica do LERU. Esta é a segunda doação realizada pela pesquisadora ao laboratório, reforçando seu vínculo e reconhecimento com as atividades desenvolvidas pelos/as pesquisadores/as, a partir do compromisso com a circulação e democratização do conhecimento que o laboratório assumiu desde sua criação.
O conjunto de obras doadas constitui uma contribuição de grande valor para estudantes, pesquisadores e colaboradores do laboratório, fortalecendo o acervo bibliográfico e apoiando o desenvolvimento de pesquisas sobre o rural brasileiro, sobretudo, sobre as mulheres agricultoras.
O LERU manifesta seu profundo reconhecimento e agradecimento pela doação, que muito honra o laboratório. A equipe reafirma, ainda, o compromisso de dar continuidade a esse legado, inspirando-se na trajetória e nos ensinamentos da professora Maria Ignez Paulilo, cuja contribuição permanece fundamental para o campo dos estudos rurais no Brasil.
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Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC) encerra 2025 com oficina de Arpilleras
A arpillera é uma técnica de bordado com retalhos coloridos, bastante comum no sul do Chile e tradicionalmente utilizada por mulheres agricultoras. Durante a ditadura militar (1973–1990), essa prática cotidiana ganhou um novo sentido: em meio à censura e à violência, muitas mulheres – especialmente mães e esposas de presos e desaparecidos políticos – transformaram a arpillera em um instrumento político para denunciar a realidade e manter viva a resistência.
No Brasil, essa prática inspirou movimentos populares, especialmente o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Em oficinas e rodas de conversa, mulheres do campo e das águas passaram a bordar suas próprias narrativas: casas alagadas, territórios violados, mas também a força que brota da coletividade, do cuidado e da luta cotidiana.
No dia 05 de dezembro de 2025, para marcar a última atividade do ano do LERU, a pesquisadora e colaboradora Laura Cristina Pereira de Oliveira realizou uma oficina de arpillera com o tema “Agroecologia para Adiar o Fim do Mundo / para Viver”. O trabalho final expressa, em linhas e retalhos, as esperanças, os compromissos e os horizontes que orientam os sonhos mais profundos da nossa atuação: um lembrete de que imaginar outros futuros também é um gesto de esperança e, sobretudo, de resistência.
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Atividades Culturais e Mutirão no Viveiro do Quilombo Vidal Martins
No dia 14 de novembro de 2025, a Comunidade Quilombola Vidal Martins, do Rio Vermelho, e o Laboratório de Estudos Rurais (LERU), do CCA/UFSC, realizaram um mutirão de manutenção do viveiro e da horta, um almoço coletivo, e uma tarde de atividades culturais.
Amparadas no quadro dos Projetos de Extensão UBUNTU, Ciclos de Encontros Temáticos e Sensibilização e Apoio à Realização de Boas Práticas Sustentáveis e Saudáveis em Territórios de Povos Tradicionais e Comunidades Rurais e Locais, o conjunto das atividades integrou trabalho coletivo, partilha de saberes e fortalecimento das relações entre a comunidade quilombola e a comunidade de estudantes africanos da UFSC.
O sucesso da jornada se deu por meio da colaboração de um conjunto importante de pessoas, a saber, professores e professoras do CCA que mantém, por meio de seus projetos, a produção de mudas na Fazenda Experimental da Ressacada e, doaram, gentilmente, inúmeras mudas de frutíferas e de demais nativas. Também colaboraram com doações o Jardim Botânico, o Parque do Córrego Grande, e o coletivo de estudantes do CCA que mantêm a Agrofloresta Cambucá.
As plantas foram levadas ao viveiro da comunidade. Já no local, os mais de 30 participantes, colaboraram realizando reparos na estrutura física do viveiro, limpeza, e manejo das plantas que estavam no local. Também foi realizado o plantio das mudas.
Das atividades práticas, o período da manhã se estendeu para a cozinha, onde vários itens que foram colhidos na horta se juntaram com as doações de alimentos e frutas que vieram da Feira Orgânica do CCA, e compuseram o delicioso almoço que foi preparado e compartilhado com todos os presentes e, também com os que foram chegando para a tarde cultural.
À tarde cultural iniciou com uma exposição de tecidos africanos da coleção pessoal das estudantes da Agronomia que pertencem à comunidade africana do CCA, e se juntou com a exposição de artesanato trazida pela comunidade quilombola.
Houve ainda apresentação musical e dança típica africana. A tarde cultural ficou ainda mais alegre com a chegada dos estudantes da Escola Básica Municipal Darcy Ribeiro (EBM), do Rio Vermelho, conduzidos pela professora Elen Kissi Rosa.
Os estudantes de Agronomia da UFSC, da comunidade africana do CCA, dialogaram com os estudantes da EBM contando um pouco sobre seus países, desmistificando preconceitos. O momento celebrou conexões entre culturas e histórias, reforçando a potência das agriculturas africanas como caminhos de memória, resistência e futuro.
A atividade reafirmou o compromisso do LERU com as ações de extensão que aproximam universidade e comunidade, fortalecendo vínculos, valorizando saberes locais e ampliando diálogos entre diferentes territorialidades e nacionalidades.

































