-
Agronomia do CCA/UFSC avança em negociações para dupla diplomação com instituição portuguesa
O curso de Agronomia do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, deu início às tratativas para a construção de um programa de dupla diplomação com o Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), em Portugal. A iniciativa integra os esforços de internacionalização do curso e poderá ampliar as oportunidades de mobilidade acadêmica e formação internacional para estudantes de graduação e pós-graduação.
A aproximação entre as instituições teve origem a partir de missão realizada em fevereiro de 2026 pelo professor Enio Snoeijer, vinculado à Assessoria de Cooperação Internacional (ACI) do Instituto de Pesquisas e Estudos em Administração Universitária (INPEAU/CSE/UFSC). Durante visitas técnicas ao Instituto Politécnico de Portalegre, o docente tratou de aspectos relacionados a um Programa de Formação de Gestores que o INPEAU pretende desenvolver em parceria com instituições portuguesas.
Na ocasião, a professora Maria José Marcelino de Ascensão, Pró-Presidente para a Internacionalização, Mobilidade, Relações Externas e Cooperação do Instituto Politécnico de Portalegre, manifestou interesse em ampliar a cooperação acadêmica com a UFSC, em especial com a Agronomia. A partir desse diálogo, foram estabelecidos contatos com o professor Francisco Rodrigues, coordenador do Mestrado em Agricultura Sustentável do IPP, vinculado ao curso de Agronomia do IPP.
O interesse mútuo em fortalecer a cooperação internacional resultou na aproximação entre as equipes acadêmicas das duas instituições. Representando o curso de Agronomia da UFSC, participaram das articulações os professores Tiago Olivoto e Tiago Montagna, com a colaboração da professora Daniela Aparecida Pacífico, coordenadora de Internacionalização da Agronomia e supervisora do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC).
Como desdobramento dessas articulações, foi realizada, em 3 de junho de 2026, uma reunião de planejamento entre representantes da UFSC e do Instituto Politécnico de Portalegre. O encontro teve como objetivo discutir possibilidades de cooperação acadêmica, mobilidade estudantil, intercâmbio docente e a construção de um futuro programa de dupla diplomação.
A proposta encontra-se em fase inicial de desenvolvimento, mas representa uma importante oportunidade para ampliar a inserção internacional da Agronomia da UFSC. Além de favorecer a circulação de estudantes e professores entre Brasil e Portugal, a parceria poderá fortalecer atividades de ensino, pesquisa e inovação em áreas estratégicas como agricultura sustentável, agroecologia, desenvolvimento rural e adaptação dos sistemas agrícolas às mudanças ambientais.
A iniciativa soma-se a outras ações de internacionalização desenvolvidas pelo curso de Agronomia da UFSC, reafirmando o compromisso institucional com a formação de profissionais capazes de atuar em contextos globais e de dialogar com diferentes realidades agrícolas e acadêmicas.
Para mais informações sobre o Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), em Portugal.
-
Projeto Ubuntu participa de mutirão agroflorestal e fortalece intercâmbio de saberes
No dia 31 de maio, estudantes vinculados ao Projeto Ubuntu participaram de um mutirão agroflorestal realizado no Sítio Terra de Ganesh, em Itapirubá (SC). A atividade reuniu 18 participantes, majoritariamente estudantes dos cursos de Agronomia e Engenharia de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (CCA/UFSC), incluindo estudantes brasileiros e indígenas.
O grupo partiu da UFSC às 6h30, em ônibus disponibilizado pela universidade, para uma jornada de aprendizado prático, trabalho coletivo e troca de conhecimentos em torno da agroecologia e dos sistemas agroflorestais.
O mutirão foi facilitado por Namastê Messerschmidt e Walter Steenbock, referências na construção e difusão de práticas agroflorestais em Santa Catarina. Ao longo do dia, os participantes puderam conhecer princípios, técnicas e experiências relacionadas à sucessão ecológica e ao manejo agroflorestal.
A programação teve início com um café da manhã coletivo, marcado pela diversidade de alimentos compartilhados entre os participantes. O momento proporcionou integração, acolhimento e aproximação entre estudantes e agrofloresteiros , criando um ambiente propício à convivência e à construção de vínculos.
Na sequência, foi realizada uma caminhada transversal pelo sítio, durante a qual Namastê e Walter apresentaram diferentes áreas do sítio, compartilhando experiências, observações e conhecimentos sobre os processos ecológicos, os sistemas produtivos e os desafios da agricultura agroflorestal. O percurso transformou-se em uma rica oportunidade de diálogo entre saberes acadêmicos e conhecimentos construídos a partir da prática cotidiana no campo.
O almoço coletivo constituiu outro momento marcante da atividade. Preparado com grande dedicação e cuidado pelos anfitriões, o cardápio reuniu alimentos diversificados, nutritivos e produzidos em sintonia com os princípios da agroecologia, reforçando a conexão entre alimentação saudável, cuidado com a terra e fortalecimento das comunidades.
Durante o mutirão, os participantes colocaram literalmente as mãos na terra, contribuindo para o plantio e manejo de espécies arbóreas e cultivos agrícolas em sistemas biodiversos. Mais do que uma atividade prática, a experiência permitiu refletir sobre formas de produção de alimentos capazes de integrar conservação ambiental, regeneração dos ecossistemas e soberania alimentar.
A participação do grupo foi articulada com o apoio da cineasta e diretora Iara Lee, que esteve presente durante toda a atividade e desempenhou papel fundamental na mobilização dos estudantes e na construção dessa ponte entre a universidade e iniciativas comprometidas com a agricultura agroflorestal e a agroecologia.
Para o Projeto Ubuntu, sediado no Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), a atividade representou uma oportunidade singular de promover intercâmbio intercultural e formação prática. Ao reunir estudantes de diferentes origens e trajetórias em torno do trabalho coletivo, do cuidado com a terra e da troca de conhecimentos, o mutirão reafirmou valores centrais do projeto, como solidariedade, cooperação, diversidade e aprendizagem compartilhada.
Experiências como esta demonstram o potencial dos espaços agroecológicos como ambientes de formação integral, capazes de articular conhecimentos técnicos, sensibilidade socioambiental, convivência intercultural e compromisso com a construção de sistemas alimentares mais justos e sustentáveis.
-
Projeto UBUNTU promove integração cultural e debate sobre africanidades
No dia 11 de maio de 2026, durante o horário de almoço, o auditório do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina recebeu a atividade de apresentação do Projeto de Extensão UBUNTU: Africanidades, identidades, costumes, culturas e práticas alimentares. A iniciativa é vinculada ao Laboratório de Estudos Rurais e coordenada pela professora Daniela Aparecida Pacífico, sendo construída de forma autogestionada pelos estudantes participantes.
Inspirado na filosofia africana Ubuntu “sou quem sou porque somos todos nós”, o projeto busca fortalecer espaços de integração intercultural, valorização das africanidades e promoção de práticas educativas antirracistas no ambiente universitário e para além dele. A atividade reuniu estudantes brasileiros e internacionais, especialmente oriundos de países africanos de língua portuguesa e do Haiti, promovendo trocas sobre identidades, experiências culturais, alimentação, modos de vida e trajetórias acadêmicas.
A apresentação contou também com a presença da cineasta e produtora brasileira Iara Lee, reconhecida internacionalmente por seus documentários voltados a direitos humanos, conflitos sociais, povos tradicionais e processos de resistência cultural. De ascendência coreana, Iara Lee possui uma trajetória marcada pela produção de filmes em diferentes territórios do mundo, abordando questões relacionadas ao colonialismo, deslocamentos forçados, justiça social e autodeterminação dos povos.
Entre seus trabalhos destacam-se K2 and the Invisible Footmen, sobre os carregadores nativos que acompanham expedições ao K2, no norte do Paquistão; Life is Waiting: Referendum and Resistance in Western Sahara, que aborda a ocupação marroquina do Saara Ocidental e a luta pacífica do povo saaraui; The Kalasha and the Crescent, sobre os desafios enfrentados por povos indígenas no norte do Paquistão; e The Suffering Grasses: When Elephants Fight It Is The Grass That Suffers, documentário que retrata os impactos humanos da guerra na Síria.
Durante a atividade, foram compartilhadas as principais ações previstas pelo projeto ao longo de 2026, entre elas: exibições do CineÁfrica, oficinas de culinária africana, oficinas de danças e tranças, mutirões agroecológicos, exposições artísticas, atividades em escolas municipais e a realização do III Seminário Internacional de Agriculturas na África.
Como primeira atividade do CineÁfrica em Debate neste semestre, o projeto realizará, no dia 15/05/2026 a exibição do documentário Unidas por Bissau (Nô Kumpu Guiné): Agroecologia e feminismo na Guiné-Bissau, dirigido por Iara Lee. O filme acompanha mulheres da Guiné-Bissau que, por meio da Agroecologia, desafiam o patriarcado, enfrentam práticas como o casamento forçado e constroem formas coletivas de autonomia e autossuficiência. A obra destaca o protagonismo feminino nas lutas sociais e agroecológicas do país.
O encontro também destacou o caráter coletivo e horizontal do projeto UBUNTU, organizado e conduzido pelos próprios estudantes, que participam ativamente da definição das atividades, da articulação cultural e da construção dos espaços de diálogo e acolhimento. Infelizmente o projeto não conta com recurso financeiro. O apoio institucional da UFSC está sendo mediante duas bolsas de extensão (Probolsas) e uma de cultura (Secart).
A iniciativa reafirma o compromisso do LERU com ações extensionistas voltadas à diversidade cultural, à educação antirracista, à internacionalização solidária e à valorização das múltiplas formas de produção de conhecimento presentes na universidade e nos territórios. Fique atento. Em breve terão novas atividades.
Créditos das fotografias: Iara Lee.
-
LERU fortalece projeto de extensão com a Aldeia Guarani M’Biguaçu durante os “23º Jogos Tradicionais”
Entre os dias 27 de abril e 02 de maio de 2026, a Aldeia Guarani M’Biguaçu sediou os “23º Jogos Tradicionais”, reunindo a comunidade local — com destaque para professores e estudantes da escola indígena — além da participação de outras aldeias Guarani do litoral catarinense. Mais do que um evento esportivo-cultural, os Jogos se afirmam como um espaço de fortalecimento da identidade, da memória e das práticas tradicionais do povo Guarani.
A participação do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/CCA/UFSC) ocorreu no âmbito do projeto de extensão “Sensibilização e apoio à realização de boas práticas, sustentáveis e saudáveis, em territórios de povos tradicionais e comunidades rurais e locais”, coordenado pela professora Karolyna Marin Herrera e o professor Valmir Stropasolas, desenvolvido em parceria com a Aldeia M’Biguaçu. Essa atuação reforça o compromisso do LERU com a construção conjunta de ações extensionistas, baseadas no diálogo de saberes e no respeito às dinâmicas socioculturais dos territórios tradicionais.
Diante dos desafios enfrentados pela comunidade Guarani na captação de recursos, o LERU mobilizou uma rede solidária que possibilitou a arrecadação e doação de alimentos orgânicos e materiais esportivos essenciais para a realização do evento. A iniciativa contou com a colaboração de agricultores familiares agroecológicos — especialmente das feiras do CCA e da Lagoa da Conceição — além do engajamento de professores e integrantes do Laboratório, evidenciando a articulação entre universidade e sociedade.
A programação teve início com uma cerimônia de abertura que incluiu roda de conversa e apresentação do Coral da Escola Indígena, seguida pelo início das atividades dos jogos tradicionais, que se estenderam ao longo da semana. Para além do apoio logístico, o LERU também atuou na dimensão formativa e de registro, com a participação do professor Valmir Luiz Stropasolas e da estudante-bolsista Gabrielle de Oliveira Rodrigues (Agronomia/CCA/UFSC e bolsista do LERU), responsáveis pela documentação audiovisual do evento.
Esse material integra um projeto em andamento de produção de um vídeo documentário sobre a cosmologia, o modo de vida e o território Guarani. Iniciado em 2025, o projeto envolve também a participação de outros estudantes como da Luana Paulino Luiz, do curso de Antropologia, e de discentes do curso de História, consolidando uma experiência interdisciplinar de extensão, pesquisa e formação acadêmica.
Como desdobramento, estão previstas novas etapas na Aldeia M’Biguaçu, incluindo a realização de entrevistas com lideranças, professores e estudantes Guarani, bem como a continuidade das ações vinculadas ao Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA).
A atuação do LERU nesse contexto reafirma a extensão universitária como prática comprometida com a transformação social, contribuindo para a valorização dos saberes tradicionais, o fortalecimento cultural e a promoção de práticas sustentáveis nos territórios.
-
Projeto UBUNTU é sediado no LERU
O Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC) sedia o Projeto de Extensão UBUNTU: Africanidades, Identidades, Costumes, Culturas e Práticas Alimentares, uma iniciativa dos estudantes africanos no CCA/UFSC, que articula ensino, pesquisa e extensão em torno da valorização de saberes afro-diaspóricos, da interculturalidade e da promoção de práticas educativas antirracistas. O projeto está registrado no SIGPEX sob o nº 202516049. Inspirado no princípio “Sou quem sou porque somos todos nós”, o UBUNTU propõe um conjunto amplo de atividades que buscam fortalecer o diálogo entre conhecimentos científicos e saberes tradicionais, com ênfase em experiências comunitárias, práticas alimentares e expressões culturais.
A programação contempla: Exibição CineÁfrica e exposições artísticas; Oficina de culinária africana; Oficinas de danças e de tranças; Realização do II Seminário Internacional de Agriculturas, com participação de representantes de Angola, Guiné-Bissau, Gabão, Moçambique e Haiti; Atividades de educação antirracista em escolas municipais; Participação em eventos institucionais como a SEPEX e a Feira Orgânica do CCA; Mutirões de cuidado com viveiro e horta no Quilombo Vidal Martins.
O projeto terá vigência de 11 de outubro de 2025 a 31 de dezembro de 2026, consolidando-se como um espaço de construção coletiva de conhecimento e de fortalecimento de redes entre universidade e comunidades.
A apresentação oficial do projeto ocorrerá no dia 11 de maio de 2026, às 12h30, no Auditório do CCA. A atividade é aberta a todos/as interessados em conhecer e participar das ações propostas. Até a data da apresentação, os estudantes que conduzem o Projeto estão convidando a comunidade do CCA, via distribuição de convites: Convite mobilização
Com essa iniciativa, o LERU reafirma seu compromisso com a promoção da diversidade, da justiça social e da integração entre diferentes formas de produzir conhecimento.
🔗 Mais informações: https://www.instagram.com/ubuntucca.ufsc?igsh=MTVzeHh0b3ozZDY0cg==
-
Professora do LERU desenvolve pós-doutorado na França sobre mulheres rurais e mudanças climáticas
A professora Karolyna Marin Herrera, supervisora do Laboratório de Estudos Rurais (LERU) e docente do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, foi contemplada com bolsa de pós-doc na chamada pública MCTI/CNPq nº 16/2025 de apoio a projetos internacionais de pesquisa científica, tecnológica e de inovação. A aprovação marca um importante reconhecimento à relevância científica e social de sua pesquisa voltada às relações entre gênero, ruralidades e mudanças climáticas.
No âmbito do pós-doc, a pesquisadora desenvolverá o projeto “Percepções e estratégias de resiliência e adaptação de mulheres em comunidades rurais frente às mudanças climáticas”, em parceria com a Université Toulouse – Jean Jaurès, por meio do Centre d’Étude et de Recherche Travail, Organisation, Pouvoir (CERTOP), na França. O projeto terá duração de 12 meses, com início em 1º de março de 2026, e contará com a supervisão da pesquisadora Heloïse Prevost.
A pesquisa propõe uma análise comparativa entre as pautas dos movimentos rurais e movimentos feministas da região da Occitânia, na França, e as proposições da Marcha das Margaridas, no Brasil. O foco central estará nas agendas climáticas construídas por mulheres em contextos rurais, especialmente nas transformações relacionadas ao trabalho de cuidados e à reprodução social diante das mudanças climáticas.
Além disso, o estudo buscará compreender as estratégias de adaptação e resiliência climática desenvolvidas por mulheres rurais, bem como as práticas de manejo e conservação dos ecossistemas protagonizadas por essas comunidades. A proposta destaca o papel fundamental das mulheres na construção de respostas coletivas frente às crises socioambientais contemporâneas, evidenciando conhecimentos, práticas e formas de organização frequentemente invisibilizadas nos debates sobre clima e desenvolvimento rural.
Entre os resultados previstos pelo projeto estão: a elaboração de uma síntese teórico-metodológica sobre o tema; o mapeamento de atores sociais e repertórios de ação mobilizados pelos movimentos investigados; e a produção de ações de divulgação científica voltadas à socialização dos achados da pesquisa.
A iniciativa fortalece os processos de internacionalização da pesquisa desenvolvida no âmbito do LERU e do PPGICH/UFSC e amplia as redes de cooperação acadêmica entre Brasil e França em torno de temas estratégicos relacionados à justiça climática, feminismos e ruralidades. O projeto também reafirma o compromisso da universidade pública com pesquisas comprometidas com os desafios sociais e ambientais contemporâneos e com a valorização das experiências e protagonismos das mulheres rurais.
-
Projeto de extensão promove oficina sobre boas práticas na produção artesanal de farinha de mandioca em Garopaba/SC
-
Financeirização e digitalização da agricultura em debate: Professor do LERU apresenta pesquisas no CPDA/UFRRJ
O professor Cristiano Desconsi, vinculado ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU) e ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), coordena, no âmbito do laboratório, o projeto de pesquisa “Interfaces entre processos de financeirização e digitalização na agricultura: análise sobre inovações no financiamento privado às commodities agrícolas no Brasil”, no qual investiga as transformações recentes nos mecanismos de financiamento do setor agropecuário. Neste contexto, o professor foi convidado a participar do Ateliê de Pesquisa Transformação digital, Estado e Agricultura no Brasil: escolhas metodológicas e caminhos de pesquisa, realizado nos dias 19 e 20 de março de 2026, no CPDA/UFRRJ, no Rio de Janeiro.
Durante o evento, o docente realizou duas apresentações, articuladas em torno da análise dos processos contemporâneos de digitalização e financeirização da agricultura no Brasil. No primeiro dia (19/03), apresentou o trabalho intitulado “Ecossistemas de inovação: rotas da financeirização da agricultura digital no Brasil”, no qual discutiu a constituição de ecossistemas de inovação como configurações sociotécnicas que orientam trajetórias específicas de digitalização no meio rural. A exposição destacou a centralidade dos processos de financeirização — entendidos como a crescente predominância de lógicas financeiras na geração de valor — e sua articulação com modelos de negócios baseados em startups, plataformas digitais e capital de risco .
A partir de evidências empíricas e análise conceitual, o professor problematizou os limites desses ecossistemas, especialmente no que se refere à sua capacidade de responder às demandas de atores com menor inserção nos mercados dominantes, como agricultores familiares e sistemas produtivos não orientados por commodities. Argumentou, nesse sentido, que as rotas de digitalização tendem a favorecer modelos agrícolas predominantes, reforçando assimetrias já existentes nos sistemas agroalimentares.
No segundo dia (20/03), apresentou a pesquisa “Fintechs no crédito para a agricultura”, na qual analisa as transformações na oferta de serviços financeiros no meio rural a partir da emergência de fintechs especializadas em crédito agrícola. O estudo evidencia como a digitalização reconfigura os mecanismos de concessão de crédito, incorporando novos atores, dispositivos tecnológicos e formas de análise de risco baseadas em dados e plataformas digitais, em contraste com os modelos tradicionais do Sistema Nacional de Crédito Rural.
A pesquisa também destaca a articulação entre fintechs, fundos de investimento e plataformas de gestão e rastreabilidade, evidenciando a formação de redes sociotécnicas complexas que sustentam a expansão dessas modalidades de financiamento. Entre os principais achados, ressalta-se a predominância de operações de curto prazo, voltadas às cadeias de commodities, bem como a flexibilização regulatória que tem permitido a ampliação da atuação dessas organizações no mercado financeiro rural.
A participação do professor no ateliê reforça a inserção do LERU em debates contemporâneos sobre transformação digital, financeirização e ação pública no meio rural, contribuindo para o avanço de agendas de pesquisa que articulam sociologia econômica, estudos sociais da tecnologia e desenvolvimento rural.
-
Professor do LERU participa de reunião na Aldeia Guarani M’Biguaçu e trata das ações do Plano de Gestão Territorial
No dia 19 de março de 2026, foi realizada, na Aldeia Guarani M’Biguaçu, a primeira reunião voltada à retomada das ações vinculadas ao Plano de Gestão Territorial, elaborado em 2023 com a participação do professor Valmir Luiz Stropasolas, do Laboratório de Estudos Rurais (LERU). A atividade contou com a presença do professor e da bolsista Luana Paulino Luiz, que participaram das discussões sobre a construção dos projetos específicos previstos no plano.
A reunião teve como foco o encaminhamento de iniciativas temáticas que integram o Plano de Gestão Territorial da aldeia, entre elas projetos relacionados às plantas medicinais, à alimentação, à roça e aos jogos tradicionais, dentre outros. A definição desses projetos representa um passo importante no desdobramento prático do plano, na medida em que busca responder a demandas e prioridades construídas em diálogo com a própria comunidade.
Outro ponto tratado no encontro foi a elaboração de um vídeo sobre o modo de vida e o território guarani, atividade que vem sendo conduzida pelo professor Valmir e pela bolsista Luana, em parceria com estudantes do curso de História da Universidade Federal de Santa Catarina. O material audiovisual abordará diferentes dimensões do território, incluindo as matas, as fontes de água, as áreas de morro, o roçado, as moradias, a escola e a casa de reza, evidenciando elementos centrais da organização social, cultural e territorial da comunidade.
A previsão é que o vídeo sobre o modo de vida seja apresentado durante a semana cultural da aldeia “Tchondaro Vy’a 2026”, programada para ocorrer entre os dias 27 de abril e 2 de maio de 2026. A iniciativa busca contribuir para a valorização do território guarani e para o fortalecimento das memórias, saberes e práticas associadas à vida comunitária.
Tanto a retomada dos projetos específicos do Plano de Gestão Territorial quanto a produção do vídeo integram as ações do projeto de extensão “Sensibilização e apoio à realização de boas práticas, sustentáveis e saudáveis, em territórios de povos tradicionais e comunidades rurais e locais”, reafirmando o compromisso do LERU com ações extensionistas desenvolvidas em diálogo com povos tradicionais e com a promoção de práticas territorialmente situadas, participativas e socialmente referenciadas.
-
LERU implementa bolsas de extensão PROBOLSAS/UFSC
O Laboratório de Estudos Rurais realizou, em fevereiro de 2026, processo seletivo para a implementação de três bolsas de extensão no âmbito do Edital nº 08/2025/PROEX – PROBOLSAS. Ao todo, foram recebidas 12 inscrições, das quais três estudantes foram selecionados para atuação em projetos de extensão vinculados às atividades do laboratório.
As bolsas, com vigência de março a dezembro de 2026, preveem dedicação de 20 horas semanais e inserem os estudantes em iniciativas que articulam ensino, pesquisa e extensão, com foco em temas estratégicos do desenvolvimento rural, da agroecologia e da gestão de territórios.
Os bolsistas selecionados atuarão em três projetos de extensão coordenados por docentes do LERU. O primeiro, “UBUNTU: Africanidades, identidades, costumes, culturas e práticas alimentares”, coordenado pela professora Daniela Aparecida Pacífico, tem como objetivo promover a integração da comunidade africana no Centro de Ciências Agrárias, bem como desenvolver dialogar sobre as agriculturas africanas e fomentar a troca de conhecimentos entre diferentes nacionalidades, sob a perspectiva de uma educação antirracista.
O segundo projeto, “Sensibilização e apoio à realização de boas práticas, sustentáveis e saudáveis, em territórios de povos tradicionais e comunidades rurais e locais”, coordenado pela professora Karolyna Marin Herrera, visa à realização de atividades extensionistas – como rodas de conversa, oficinas, dias de campo e mutirões – voltadas à promoção da gestão coletiva e participativa de territórios sustentáveis e saudáveis, envolvendo comunidades tradicionais e rurais.
O terceiro projeto, “Gestão dos custos e precificação de produtos de qualidade: acompanhamento e análise em empreendimentos rurais”, coordenado pelo professor Cristiano Desconsi, tem como foco o assessoramento gerencial de empreendimentos rurais, por meio do levantamento e da análise dos custos de produção, processamento e comercialização, contribuindo para a qualificação da gestão econômica desses estabelecimentos.
O processo seletivo foi estruturado conforme previsto em edital, garantindo a conformidade com os critérios institucionais do programa.
A implementação das bolsas reforça o papel do LERU na formação acadêmica de estudantes de graduação e na consolidação de ações extensionistas voltadas à produção de conhecimento socialmente referenciado, em diálogo com diferentes públicos e territórios.
As informações sobre o edital e o resultado podem se conferidas Aqui.







































