-
Membro do LERU qualifica projeto de pesquisa de mestrado no PPGA/UFSC
No dia 31 de agosto de 2026, a mestranda Sofia Silva Lemos, do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas (PPGA/UFSC), realizou a qualificação de seu projeto de pesquisa. A banca foi composta pela professora Dra Maria José Hotzel, pelo professor Dr. Caetano Sordi, e pela professora Dra Daniela Aparecida Pacífico (orientadora).
Intitulado Contribuições mútuas dos saberes e práticas pluridiversos com a Agroecologia: o cuidado com os quintais e o corpo-território, o projeto investiga os saberes e práticas de cuidado presentes nos quintais da Grande Florianópolis e suas relações com a perspectiva corpo-território, buscando compreender suas contribuições mútuas com a Agroecologia para a sustentabilidade e a soberania.
A pesquisa adota uma perspectiva transdisciplinar, articulando abordagens decoloniais, contracoloniais, ecofeministas e dos feminismos comunitários, além de pesquisa de campo com observação participante, diálogo de saberes e diferentes ferramentas de registro e sistematização das experiências nos quintais.
Entre os resultados esperados estão o fortalecimento comunitário, a sistematização e valorização dos saberes locais, a compreensão das relações entre biodiversidade, saúde e território e o reconhecimento das práticas pluridiversas de cuidado como dimensões fundamentais da práxis agroecológica.
A qualificação representa mais uma etapa importante na trajetória acadêmica da mestranda e no desenvolvimento de pesquisas que aproximam Universidade, comunidades e Agroecologia, valorizando a diversidade de saberes e práticas presentes nos territórios.
-
SELEÇÃO DE BOLSISTAS DE EXTENSÃO
A professora Daniela Aparecida Pacífico, no uso de suas atribuições , conforme o disposto no EDITAL Nº 08/2025/PROEX – Probolsas 2026, tornam pública a abertura das inscrições para o Edital n.02 de seleção de bolsistas de extensão com o objetivo de selecionar alunos/as de graduação que irão desenvolver atividades de extensão no âmbito do Projeto UBUNTU: Africanidades, identidades, costumes, culturas e práticas alimentares.
- As inscrições deverão ser realizadas no período de 08/09/2026 até 10/09/2026 por meio de preenchimento do formulário Aqui.
Edital_n.2_selecao_de_bolsistas_assinado
- As inscrições deverão ser realizadas no período de 08/09/2026 até 10/09/2026 por meio de preenchimento do formulário Aqui.
-
Pesquisadores do LERU apresentam capítulo de livro no Seminário Nacional sobre Extensão Rural
A professora Daniela Aparecida Pacífico, do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), participou, entre os dias 26 e 28 de agosto de 2026, do Seminário “Extensão Rural no Brasil: Diagnóstico, Governança e Agenda Estratégica”, realizado na Faculdade de Engenharia Agrícola (FEAGRI) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em Campinas (SP).
O evento reuniu autoras e autores dos capítulos que irão compor o livro homônimo, além de pesquisadores, extensionistas e gestores públicos, em um espaço dedicado à apresentação, ao debate e ao aperfeiçoamento coletivo das contribuições sobre os desafios e as perspectivas da extensão rural brasileira.
Na ocasião, a professora Daniela Pacífico apresentou o capítulo “A extensão rural na territorialização da ação pública: mediação, instrumento e territórios de diversidade”, tendo como coautor o professor Cristiano Desconsi, também do LERU. O capítulo analisa como a extensão rural participa da territorialização da ação pública por meio de processos de mediação e de dinâmicas de coprodução das políticas públicas no meio rural.
A reflexão desenvolvida pelos pesquisadores propõe um deslocamento da compreensão da extensão rural como serviço predominantemente técnico e social para entendê-la como uma interface entre Estado, políticas públicas, instituições, sujeitos e territórios. Nessa perspectiva, a extensão não apenas executa políticas, mas participa ativamente da construção das condições para que elas adquiram existência concreta nos territórios. O capítulo retoma resultados de pesquisa realizada no Norte de Minas Gerais, entre 2011 e 2016, durante o acompanhamento da implementação do Plano Brasil Sem Miséria Rural e do cotidiano das equipes de extensão rural. A experiência de campo evidenciou que a implementação das políticas não ocorre pela simples aplicação de regras: envolve interpretação de normas, articulação institucional, negociação de procedimentos, adaptação de ferramentas e mediação de conflitos.
A análise também destaca o papel dos instrumentos de ação pública, mostrando como dispositivos como as Chamadas Públicas de ATER organizam públicos, metas, temporalidades, produtos, monitoramento e prestação de contas, mas, ao mesmo tempo, demandam dos agentes de extensão a capacidade de interpretar critérios, confrontar cadastros com a realidade, localizar famílias, negociar soluções e construir alternativas adequadas às especificidades territoriais.
Um dos principais argumentos apresentados é que a territorialização da ação pública emerge da interação entre diferentes dimensões da diversidade – territorial, institucional, dos públicos e seus conhecimentos, e da rede sociotécnica da qual fazem parte – articuladas por processos de mediação e tradução. Assim, as redes sociotécnicas constituídas em torno dos instrumentos são fundamentais para que as políticas possam operar em contextos rurais heterogêneos.
A partir dessa abordagem, o capítulo aponta três contribuições centrais para pensar a extensão rural: a extensão como mediação estratégica entre Estado e sociedade; a implementação como espaço de produção da própria ação pública; e os limites de modelos excessivamente padronizados diante da diversidade social e produtiva dos territórios.
As discussões realizadas durante o seminário contribuíram, ainda, para a construção de uma agenda estratégica para o fortalecimento da extensão rural brasileira, destacando a necessidade de instrumentos com margens responsáveis de adaptação, reconhecimento da diversidade dos territórios, participação e coprodução dos públicos e valorização do trabalho extensionista de tradução, articulação e negociação.
A participação do LERU no seminário reforça o compromisso do laboratório com a produção de conhecimento e com o debate sobre políticas públicas, ação pública, desenvolvimento rural e extensão rural, contribuindo para aproximar a pesquisa acadêmica dos desafios concretos enfrentados nos territórios brasileiros.
-
Projeto UBUNTU inicia o semestre com celebração das culturas e africanidades no CCA/UFSC
O segundo semestre de 2026 começou com muita interação, cultura e alegria no Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O Projeto de Extensão UBUNTU: Africanidades, Identidades, Costumes, Culturas e Práticas, vinculado ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC) e coordenado pela professora Daniela Aparecida Pacífico, promoveu, nos dias 17 e 24 de agosto, oficinas voltadas à valorização das culturas e identidades africanas.
As atividades foram organizadas com o protagonismo dos estudantes bolsistas do Projeto UBUNTU, Ozia Augusta Itamba, Antchu Atenca Có e Fernando Francisco José Kualala, que, juntamente com os demais integrantes do projeto, vêm construindo uma programação que aproxima a comunidade acadêmica das diferentes expressões culturais africanas presentes no CCA.
Dança, identidade e cultura africana
No dia 17 de agosto, foi realizada uma oficina de dança africana, com a participação de integrantes do Grupo Angolano Piluca, que conduziram atividades de semba e kizomba. Realizada no Hall do CCA, próximo à Biblioteca, a oficina marcou o início das atividades do semestre com música, movimento e integração.
Durante a atividade, os convidados apresentaram aspectos da origem e dos significados das danças trabalhadas, possibilitando aos participantes conhecer não apenas os movimentos, mas também elementos dos contextos culturais nos quais essas manifestações se constituem.
A oficina teve como propósito promover a valorização das identidades e culturas africanas por meio da dança, compreendida como uma forma de expressão que articula memória, pertencimento, sociabilidade e produção de identidades.
Tranças e tecidos africanos
Na semana seguinte, no dia 24 de agosto, o UBUNTU promoveu uma oficina de tranças e tecidos africanos, também realizada no Hall do CCA, ao lado da Biblioteca. A atividade reuniu estudantes e integrantes da comunidade acadêmica em torno de diferentes formas de expressão estética e cultural vinculadas às tradições africanas.
A oficina contou com a participação de Luciana Napitango João Faustino, Madalena de Sousa Manuel, Nelma Manuel Pinheiro, Thamara Colin, Valdinora Alfredo Co, Maria Rosa Hilário, Lazaro Nanque, Abrão Matias Felipe, entre outros colaboradores, que compartilharam conhecimentos e técnicas relacionados às tranças e aos tecidos africanos.
Além do caráter formativo e cultural, a atividade proporcionou um espaço de convivência e troca de saberes. A participação foi gratuita, e os participantes puderam também receber certificação pela atividade.
UBUNTU: aprender, compartilhar e construir coletivamente
As atividades realizadas no início deste semestre reafirmam a proposta do Projeto UBUNTU de constituir, no espaço universitário, um ambiente de diálogo intercultural, valorização das africanidades e reconhecimento da diversidade de saberes, práticas e identidades.
Mais do que uma programação cultural, as oficinas expressam o protagonismo da comunidade de estudantes africanos do CCA e sua participação ativa na construção de espaços de pertencimento, visibilidade e intercâmbio cultural dentro da universidade.
O LERU celebra o envolvimento dos estudantes e de todos os colaboradores que tornam possível a realização das atividades do UBUNTU e convida a comunidade acadêmica a acompanhar e participar das próximas ações do projeto.
Ubuntu é construção coletiva: eu sou porque nós somos.
-
Pesquisadoras do LERU participam de Encontro Nacional de Pesquisadoras em Feminismos e Ruralidades e da 5ª edição do Prêmio Margarida Alves
As pesquisadoras do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), Karolyna Marin Herrera e Daniela Aparecida Pacífico, participaram do Encontro Nacional de Pesquisadoras em Feminismos e Ruralidades e da Cerimônia de Certificação da 5ª Edição do Prêmio Margarida Alves, realizado entre os dias 18 e 20 de agosto de 2026, em Brasília (DF). O encontro reuniu 34 grupos de pesquisa que atuam com feminismo e ruralidade, além de representantes das organizações científicas e Ministérios, e teve como objetivo fortalecer as reflexões sobre gênero, feminismos, ruralidades e políticas públicas, apresentando resultados de pesquisas recentes sobre esse campo de estudos e discutindo suas contribuições para a avaliação, o aprimoramento e a proposição de políticas públicas para as mulheres rurais. A programação também buscou construir recomendações para o fortalecimento das pesquisas sobre gênero, feminismos e ruralidades, além de promover o diálogo entre conhecimentos acadêmicos e saberes populares vinculados ao Prêmio Margarida Alves.
A professora Karolyna Marin Herrera participou do encontro de forma on-line, em razão da realização de seu pós-doutorado no exterior, e, juntamente com a pesquisadora Julia Terto (PPGCS/UFRPE), apresentou resultados da pesquisa Estudos Rurais Feministas, Memória e Políticas Públicas: Mapeamento, crítica e construção de novos saberes. A pesquisa realizou um diagnóstico nacional da produção acadêmica, dos grupos de pesquisa e das redes de circulação do conhecimento relacionados aos estudos rurais feministas. A apresentação integrou o Painel 1 – Estudos rurais feministas: o estado da arte.
Ao longo dos três dias, a programação contemplou diferentes dimensões do campo de estudos e de sua relação com as políticas públicas. O Painel 2 – Programas e ações de apoio a estudos e pesquisas e conexão com gênero e feminismo rural, além de uma parte dedicada à apresentação e ao debate sobre os sistemas de registros do governo. O primeiro dia de encontro foi concluído com as atividades dos Grupos de Trabalhos, no qual cada um debateu e fez sugestões propositivas acerca dos temas de interesse. No segundo dia, o Painel 3, dividido em parte I e II, abordou a inserção das mulheres rurais nas estatísticas oficiais e nos registros administrativos das políticas públicas, seguido de grupos de trabalho voltados à construção de desafios e recomendações. A programação do dia terminou com a Cerimônia de Certificação da 5ª Edição do Prêmio Margarida Alves, que contou com a entrega de certificados às autoras e aos autores dos trabalhos premiados publicados no livro 5ª Edição do Prêmio Margarida Alves de Estudos sobre Ruralidades e Feminismos. A Cerimonia foi realizada no Bloco K da Esplanada dos Ministérios, no Auditório Celso Furtado, e contou com a participação da Ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.
O terceiro dia foi dedicado à síntese dos trabalhos dos grupos, à avaliação do edital do Prêmio Margarida Alves e à discussão de desafios e perspectivas para sua próxima edição. A pesquisa nacional Estudos Rurais Feministas, Memória e Políticas Públicas é coordenada pela professora Andrea Butto (PPGCS/UFRPE) e trata-se de uma pesquisa resultado de parceria entre a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com a participação de pesquisadoras de diferentes regiões, dentre elas a professora Karolyna. A participação das pesquisadoras do LERU no encontro contribui para a inserção do Laboratório em um espaço nacional de articulação entre pesquisa, feminismos, ruralidades e políticas públicas.
-
Pesquisadores do LERU apresentam estudos sobre agroecologia, cooperativismo e mercados territoriais no Congresso Mundial de Sociologia Rural
Os pesquisadores Daniela Aparecida Pacífico e Cristiano Desconsi, do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), participaram do 16th World Congress of Rural Sociology, realizado entre os dias 19 e 23 de julho de 2026, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS).O evento reuniu pesquisadores e pesquisadoras dedicados à análise das transformações contemporâneas no meio rural e nos sistemas agroalimentares. A participação dos pesquisadores do LERU contribuiu para dar visibilidade à produção científica desenvolvida pelo Laboratório, articulando diferentes dimensões dos estudos rurais, como agroecologia, produção de conhecimentos, políticas públicas, cooperativismo, mercados territoriais e formas de organização econômica.
Durante o Congresso, foram apresentados três trabalhos vinculados a pesquisas desenvolvidas pelos pesquisadores do LERU, abordando diferentes experiências e processos relacionados às transformações dos sistemas agroalimentares e às dinâmicas sociais, institucionais e territoriais do meio rural.
- Coprodução do conhecimento agroecológico e tecnologias nos contextos de NEA e CVT
A pesquisadora Daniela Aparecida Pacífico, em coautoria com Carla Gualdani, Regina Helena Rosa Sambuichi, Mariana Aquilante Policarpo e Fábio Alves, apresentou o trabalho Co-production of Agroecological Knowledge: Technologies and Practices in NEA and CVT Institutional Contexts, vinculado à área temática IRSA 28 – Pathways for Food Democracy and Agrifood Justice in Territorial Food Systems. O estudo foi desenvolvido junto da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (DIRUR) do IPEA, entre 2022 e 2024, e esteve relacionado à análise dos bioinsumos produzidos e utilizados no âmbito dos Núcleos de Estudos em Agroecologia (NEA) e dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT).
A pesquisa compreende os NEA e CVT como institucionalidades situadas em universidades e institutos federais, constituídas por meio de editais públicos do CNPq e caracterizadas pela articulação entre universidade, agricultores, organizações sociais e territórios. A partir da abordagem da coprodução do conhecimento, de Jasanoff (2004), o estudo analisa a produção técnico-científica desses núcleos não apenas como resultados de pesquisa, mas como espaços de constituição simultânea de conhecimentos, práticas e formas institucionais da agroecologia. Para isso, foi realizada uma revisão sistemática de 176 estudos, abrangendo todas as regiões do Brasil e envolvendo 71 NEA e 5 CVT, com trabalhos que contemplam desde ações educativas, organização social e comercialização até manejo, práticas produtivas, insumos biológicos, transição agroecológica e sistemas agroflorestais.
Entre os principais resultados, a pesquisa identificou duas racionalidades metodológicas na produção do conhecimento agroecológico. A primeira é mais experimental e laboratorial e compreende a tecnologia como produto, especialmente no desenvolvimento de bioinsumos-produto realizado dentro dos espaços institucionais. A segunda é mais territorial, relacional e sistêmica e compreende a tecnologia como processo, associada a dinâmicas de manejo, experimentação e troca de saberes desenvolvidas nos territórios. Essas racionalidades se relacionam a três formas de institucionalização da agroecologia identificadas no estudo: científico-institucional, territorial-relacional e científico-territorial, esta última combinando atividades realizadas dentro e fora dos espaços institucionais.
Os resultados evidenciam que a contribuição dos NEA e CVT ultrapassa a geração ou o resgate de tecnologias agroecológicas. Sua principal contribuição está na construção de formas coletivas e territorializadas de produção do conhecimento, nas quais ciência, práticas sociais e processos ecológicos são coproduzidos. Assim, a forma de produzir conhecimento nesses espaços revela diferentes modos de institucionalização da agroecologia e diferentes possibilidades de articulação entre ciência, território e sujeitos sociais, reforçando o papel dos NEA e CVT como importantes espaços de construção e institucionalização do conhecimento agroecológico no Brasil.
DOI: 10.29327/9786527226680.1447166. O trabalho completo está disponível nos anais do evento:
Co-production of Agroecological Knowledge: Technologies and Practices in NEA and CVT Institutional Contexts- Programa Mais Gestão e fortalecimento das cooperativas da agricultura familiar
O pesquisador Cristiano Desconsi, em coautoria com Fábio Luiz Búrigo, Rui Alvacir Netto e Marcelos João Alves, apresentou o trabalho Mais Gestão Program: Analysis of the Processes and Results Generated by the Management Advisory Project for Family Farming Cooperatives in Southern Brazil, inserido na área temática IRSA 31 – Cooperatives and Their Role for a Sustainable Rural Future.
O artigo analisa a experiência do Projeto Mais Gestão Sul, que abrangeu 68 organizações da região Sul do Brasil entre 2024 e 2025, tendo a Universidade Federal de Santa Catarina como instituição executora.
A pesquisa discute os desafios enfrentados por cooperativas de agricultores familiares e assentados da reforma agrária, especialmente no que se refere à qualificação dos processos de gestão e organização. A partir de informações quantitativas e qualitativas produzidas no âmbito do projeto, o estudo reflete sobre as relações entre gestão, governança cooperativa e sustentabilidade.
Os resultados evidenciam a importância das políticas públicas voltadas à qualificação dos processos gerenciais e organizativos das cooperativas, bem como a necessidade de desenvolver metodologias e técnicas de gestão próprias para organizações cooperativas, capazes de considerar sua heterogeneidade social, econômica e seus diferentes objetivos.
DOI: 10.29327/9786527226680.1442073. O trabalho completo pode ser acessado nos anais do Congresso:
Mais Gestão Program: Analysis of the Processes and Results Generated by the Management Advisory Project for Family Farming Cooperatives in Southern Brazil- Mercados de reciprocidade e valoração moral nos engenhos de farinha de Garopaba
Também foi apresentado por Cristiano Desconsi, em coautoria com Tiago José Bini, Rene Birochi, Daniela Pacífico e Vinícius Dequi Forcelini, o trabalho Mercados de Reciprocidade e Valoração Moral em Mercados Territoriais: o Caso dos Engenhos de Farinha de Garopaba/SC, vinculado à área temática IRSA 39 – Territorial Markets as Spaces of Value.
A pesquisa analisa os mercados agroalimentares territoriais a partir do estudo da produção artesanal de farinha de mandioca em engenhos tradicionais de Garopaba, em Santa Catarina. Com base em pesquisa de campo realizada em 2025, o estudo investiga como instituições, relações sociais e normas comunitárias influenciam a organização dos mercados, as formas de circulação da produção e os processos de formação de preços.
O trabalho articula contribuições da sociologia econômica e da antropologia econômica, mobilizando as noções de enraizamento das ações econômicas, economia socialmente incrustada e reciprocidade. A análise evidencia a coexistência, nos engenhos de farinha, de trocas mercantis, práticas de reciprocidade e circuitos de autoconsumo, conformando uma economia plural orientada à reprodução social das famílias e da comunidade.
Os resultados indicam ainda que os preços não são definidos exclusivamente por mecanismos impessoais de oferta e demanda. Ao contrário, envolvem processos sociais de valoração e coordenação, expectativas compartilhadas, julgamentos morais e normas comunitárias. Dessa forma, o preço assume caráter relacional e ajustável, sendo negociado de acordo com as relações sociais e as condições dos compradores.
DOI: 10.29327/9786527226680.1442093. O trabalho está disponível nos anais do evento:
Mercados de Reciprocidade e Valoração Moral em Mercados Territoriais: o Caso dos Engenhos de Farinha de Garopaba/SCA participação no 16th World Congress of Rural Sociology evidencia a inserção do LERU em debates contemporâneos da Sociologia Rural e dos Estudos Rurais, ao mesmo tempo em que amplia a circulação internacional de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Santa Catarina.
Os três trabalhos apresentados expressam diferentes frentes de investigação desenvolvidas pelos pesquisadores do Laboratório: a coprodução de conhecimentos e tecnologias agroecológicas, as políticas de fortalecimento das organizações cooperativas da agricultura familiar e os processos sociais de constituição e valoração dos mercados territoriais.
A participação da professora Daniela Aparecida Pacífico e do professor Cristiano Desconsi no Congresso também reafirma o compromisso do LERU com a produção e a disseminação de conhecimentos sobre as transformações dos mundos rurais, valorizando abordagens que articulam dimensões sociais, econômicas, tecnológicas, institucionais e territoriais.
-
Grupo de Estudos do LERU promove debate sobre cooperativismo e agricultura familiar da Serra Gaúcha
Dando continuidade às atividades do Grupo de Estudos do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), foi realizada, no dia 26 de junho de 2026, a palestra “Cooperativa da Agricultura Familiar na Serra Gaúcha: dinâmicas e aproximações teóricas e metodológicas”, ministrada por Alzenei Valentin Dalprá, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGAdm/UFSC), sob orientação do professor Dr. Cristiano Desconsi.
A atividade integrou o ciclo de palestras promovido pelo Grupo de Estudos e constituiu a segunda palestra realizada no semestre letivo de 2026.1, reafirmando o compromisso do LERU com a formação acadêmica, a interlocução interdisciplinar e o fortalecimento do diálogo entre pesquisa, ensino e extensão.
Durante a apresentação, Alzenei compartilhou reflexões decorrentes de sua pesquisa sobre a Cooperativa de Agricultores e Agroindústrias Familiares de Caxias do Sul (CAAF), discutindo sua trajetória institucional e sua atuação no fortalecimento da agricultura familiar por meio da organização da produção, da comercialização, da logística e da inserção em mercados institucionais, especialmente aqueles vinculados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Também foram abordadas as ações desenvolvidas pela cooperativa em assistência técnica, qualificação produtiva e agregação de valor aos produtos da agricultura familiar.
Além da caracterização da experiência cooperativista, a palestra apresentou as aproximações teóricas e metodológicas que orientam a pesquisa em desenvolvimento, evidenciando o potencial da Teoria Institucional para compreender os processos de construção de legitimidade, governança e articulação entre organizações da agricultura familiar, Estado, universidades e demais atores envolvidos no desenvolvimento territorial.
O encontro proporcionou um espaço de diálogo entre estudantes de graduação e pós-graduação e pesquisadores, favorecendo o intercâmbio de perspectivas sobre cooperativismo, organizações rurais, políticas públicas e desenvolvimento rural. As discussões ressaltaram a importância das experiências concretas da agricultura familiar como objeto de investigação científica e como fonte de aprendizado para a compreensão dos desafios contemporâneos do meio rural brasileiro.
Com a realização da segunda palestra do semestre, o Grupo de Estudos do LERU encerrou as atividades do primeiro semestre e reafirmou seu papel como espaço permanente de debate e circulação do conhecimento, estimulando a socialização de pesquisas em andamento e o intercâmbio entre diferentes áreas do conhecimento dedicadas aos estudos rurais e ao desenvolvimento territorial.
-
Estudante da Agronomia da UFSC conquista prêmio na França com projeto de biofertilizante sustentável
A estudante do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Maila Peyrot de Almeida, atualmente em período de Duplo Diploma no Institut Agro Dijon (França), conquistou importante reconhecimento nacional ao integrar a equipe vencedora do Prêmio RSE (Responsabilité Sociétale des Entreprises) na final francesa do programa Les Entrep’, realizada em maio de 2026, na cidade de Marselha.
O Les Entrep’ é um programa nacional de formação em empreendedorismo voltado a estudantes e jovens recém-formados de diferentes áreas do conhecimento. Ao longo de aproximadamente cinco meses, equipes multidisciplinares desenvolvem projetos empresariais, participam de oficinas temáticas, mentorias e atividades práticas conduzidas por profissionais e especialistas do setor produtivo. O programa envolve estudantes de diversas instituições de ensino superior francesas e culmina em competições regionais e nacionais de inovação e empreendedorismo.
Maila integrou a equipe UreGreen, composta por Emilie Deliry, Gabriel Alsamo Grazzioli, Come-Maria Le Gouz de Saint Saine e Adèle Schmidtts, estudantes do Institut Agro Dijon e da Burgundy School of Business. O grupo desenvolveu uma proposta inovadora baseada na produção de um biofertilizante obtido a partir da valorização da urina humana, transformando um resíduo frequentemente descartado em uma fonte de nutrientes para a agricultura. O desafio envolveu a construção completa de um modelo de negócio, incluindo estratégias para coleta, processamento, logística, distribuição e viabilidade econômica do produto.
A equipe foi acompanhada pela coach Lisa Fèvre, que orientou o desenvolvimento do projeto ao longo do programa. Após conquistar o primeiro lugar na etapa regional da Borgonha, o grupo representou a região na final nacional realizada em Marselha, reunindo os projetos vencedores de diferentes territórios franceses. Na etapa final, a proposta recebeu o Prêmio RSE, distinção concedida a iniciativas que se destacam por seus impactos sociais, ambientais e pela contribuição ao desenvolvimento sustentável.
Segundo os organizadores, o projeto UreGreen destacou-se por sua abordagem baseada nos princípios da economia circular e pela busca de soluções para reduzir os impactos ambientais associados à produção convencional de fertilizantes. A proposta foi reconhecida pelo potencial de contribuir para sistemas agrícolas mais sustentáveis e para o aproveitamento eficiente de recursos.
A conquista evidencia a qualidade da formação recebida pelos estudantes da Agronomia da UFSC e reforça a relevância das experiências internacionais proporcionadas pelos programas de Duplo Diploma. Também demonstra a capacidade dos estudantes de atuar em ambientes multiculturais e interdisciplinares, desenvolvendo soluções inovadoras para desafios contemporâneos da agricultura e da sustentabilidade.
Para a equipe do Projeto CAPES/Brafagri 2023/2026, coordenado pela professora Daniela Aparecida Pacífico, supervisora do LERU, o reconhecimento obtido por Maila representa motivo de orgulho e reafirma a importância da internacionalização acadêmica, da formação crítica e do estímulo à inovação voltada à construção de sistemas agroalimentares mais sustentáveis.
Parabenizamos Maila Peyrot de Almeida e toda a equipe UreGreen pela conquista e pela contribuição ao desenvolvimento de soluções inovadoras para a agricultura do futuro.
-
Agronomia do CCA/UFSC avança em negociações para dupla diplomação com instituição portuguesa
O curso de Agronomia do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, deu início às tratativas para a construção de um programa de dupla diplomação com o Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), em Portugal. A iniciativa integra os esforços de internacionalização do curso e poderá ampliar as oportunidades de mobilidade acadêmica e formação internacional para estudantes de graduação e pós-graduação.
A aproximação entre as instituições teve origem a partir de missão realizada em fevereiro de 2026 pelo Dr. Enio Snoeijer, vinculado à Assessoria de Cooperação Internacional (ACI) do Instituto de Pesquisas e Estudos em Administração Universitária (INPEAU/CSE/UFSC). Durante visitas técnicas ao Instituto Politécnico de Portalegre, o docente tratou de aspectos relacionados a um Programa de Formação de Gestores que o INPEAU pretende desenvolver em parceria com instituições portuguesas.
Na ocasião, a professora Maria José Marcelino de Ascensão, Pró-Presidente para a Internacionalização, Mobilidade, Relações Externas e Cooperação do Instituto Politécnico de Portalegre, manifestou interesse em ampliar a cooperação acadêmica com a UFSC, em especial com a Agronomia. A partir desse diálogo, foram estabelecidos contatos com o professor Francisco Rodrigues, coordenador do Mestrado em Agricultura Sustentável do IPP, vinculado ao curso de Agronomia do IPP.
O interesse mútuo em fortalecer a cooperação internacional resultou na aproximação entre as equipes acadêmicas das duas instituições. Representando o curso de Agronomia da UFSC, na função de coordenadores, participaram os professores Tiago Olivoto e Tiago Montagna, com a colaboração da professora Daniela Aparecida Pacífico, coordenadora de Internacionalização da Agronomia e supervisora do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC).
Como desdobramento dessas articulações, foi realizada, em 3 de junho de 2026, uma reunião de planejamento entre representantes da UFSC e do Instituto Politécnico de Portalegre. O encontro teve como objetivo discutir possibilidades de cooperação acadêmica, mobilidade estudantil, intercâmbio docente e a construção de um futuro programa de dupla diplomação.
A proposta encontra-se em fase inicial de desenvolvimento, mas representa uma importante oportunidade para ampliar a inserção internacional da Agronomia da UFSC. Além de favorecer a circulação de estudantes e professores entre Brasil e Portugal, a parceria poderá fortalecer atividades de ensino, pesquisa e inovação em áreas estratégicas como agricultura sustentável, agroecologia, desenvolvimento rural e adaptação dos sistemas agrícolas às mudanças ambientais.
A iniciativa soma-se a outras ações de internacionalização desenvolvidas pelo curso de Agronomia da UFSC, reafirmando o compromisso institucional com a formação de profissionais capazes de atuar em contextos globais e de dialogar com diferentes realidades agrícolas e acadêmicas.
Para mais informações sobre o Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), em Portugal.
-
Projeto Ubuntu participa de mutirão agroflorestal e fortalece intercâmbio de saberes
No dia 31 de maio, estudantes vinculados ao Projeto Ubuntu participaram de um mutirão agroflorestal realizado no Sítio Terra de Ganesh, em Itapirubá (SC). A atividade reuniu 18 participantes, majoritariamente estudantes dos cursos de Agronomia e Engenharia de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (CCA/UFSC), incluindo estudantes brasileiros e indígenas.
O grupo partiu da UFSC às 6h30, em ônibus disponibilizado pela universidade, para uma jornada de aprendizado prático, trabalho coletivo e troca de conhecimentos em torno da agroecologia e dos sistemas agroflorestais.
O mutirão foi facilitado por Namastê Messerschmidt e Walter Steenbock, referências na construção e difusão de práticas agroflorestais em Santa Catarina. Ao longo do dia, os participantes puderam conhecer princípios, técnicas e experiências relacionadas à sucessão ecológica e ao manejo agroflorestal.
A programação teve início com um café da manhã coletivo, marcado pela diversidade de alimentos compartilhados entre os participantes. O momento proporcionou integração, acolhimento e aproximação entre estudantes e agrofloresteiros , criando um ambiente propício à convivência e à construção de vínculos.
Na sequência, foi realizada uma caminhada transversal pelo sítio, durante a qual Namastê e Walter apresentaram diferentes áreas do sítio, compartilhando experiências, observações e conhecimentos sobre os processos ecológicos, os sistemas produtivos e os desafios da agricultura agroflorestal. O percurso transformou-se em uma rica oportunidade de diálogo entre saberes acadêmicos e conhecimentos construídos a partir da prática cotidiana no campo.
O almoço coletivo constituiu outro momento marcante da atividade. Preparado com grande dedicação e cuidado pelos anfitriões, o cardápio reuniu alimentos diversificados, nutritivos e produzidos em sintonia com os princípios da agroecologia, reforçando a conexão entre alimentação saudável, cuidado com a terra e fortalecimento das comunidades.
Durante o mutirão, os participantes colocaram literalmente as mãos na terra, contribuindo para o plantio e manejo de espécies arbóreas e cultivos agrícolas em sistemas biodiversos. Mais do que uma atividade prática, a experiência permitiu refletir sobre formas de produção de alimentos capazes de integrar conservação ambiental, regeneração dos ecossistemas e soberania alimentar.
A participação do grupo foi articulada com o apoio da cineasta e diretora Iara Lee, que esteve presente durante toda a atividade e desempenhou papel fundamental na mobilização dos estudantes e na construção dessa ponte entre a universidade e iniciativas comprometidas com a agricultura agroflorestal e a agroecologia.
Para o Projeto Ubuntu, sediado no Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), a atividade representou uma oportunidade singular de promover intercâmbio intercultural e formação prática. Ao reunir estudantes de diferentes origens e trajetórias em torno do trabalho coletivo, do cuidado com a terra e da troca de conhecimentos, o mutirão reafirmou valores centrais do projeto, como solidariedade, cooperação, diversidade e aprendizagem compartilhada.
Experiências como esta demonstram o potencial dos espaços agroecológicos como ambientes de formação integral, capazes de articular conhecimentos técnicos, sensibilidade socioambiental, convivência intercultural e compromisso com a construção de sistemas alimentares mais justos e sustentáveis.






















