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Professor do LERU participa de ateliê de pesquisa internacional sobre transformação digital e agricultura
Pesquisador do LERU/UFSC e do PPGAdm apresentou avanços de pesquisa sobre ecossistemas de inovação, financiamento rural e tecnologias digitais na comercialização da agricultura familiar, no âmbito do projeto DIGIPOLAGRI.
Nos dias 17 e 18 de setembro de 2026, o professor Cristiano Desconsi, vinculado ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ao Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAdm/UFSC), participou do ateliê de pesquisa do projeto internacional DIGIPOLAGRI — Transformação digital e políticas na agricultura e nos territórios rurais. O encontro reuniu pesquisadores envolvidos no desenvolvimento das diferentes frentes de investigação do projeto, com o objetivo de compartilhar avanços, discutir resultados preliminares e planejar as próximas etapas de trabalho na França e no Brasil.
Coordenado por Jean-François Le Coq, do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD), o DIGIPOLAGRI investiga as transformações digitais na agricultura e suas implicações para as políticas públicas, os modelos agrícolas e as transições ecológicas nos territórios rurais. A pesquisa reúne instituições brasileiras e francesas, incluindo o LERU e o PPGAdm da UFSC, o Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), além de equipes de pesquisa francesas.
O projeto, iniciado em outubro de 2025, tem duração prevista de 48 meses e busca compreender como diferentes trajetórias de inovação digital influenciam a organização da agricultura, o acesso a recursos, o financiamento, a comercialização e a gestão dos estabelecimentos agrícolas.
Durante o ateliê, Cristiano Desconsi apresentou os avanços das investigações desenvolvidas no Brasil, com destaque para o trabalho do grupo de pesquisa responsável pelo eixo dedicado aos ecossistemas de inovação e às transformações das organizações agrícolas.
A apresentação abordou a construção de referências teóricas para compreender as mudanças na gestão e nas organizações, mobilizando contribuições da sociologia, da economia, da antropologia e dos estudos sociais da ciência e da tecnologia. Também foram apresentados os primeiros movimentos de aproximação com atores dos ecossistemas de inovação, incluindo contatos exploratórios com a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) e o planejamento de um mapeamento de fusões e aquisições envolvendo agtechs e fintechs.
Parte do trabalho de campo foi realizada durante o Startup Summit 2026, ocorrido entre 26 e 28 de agosto, em Florianópolis (SC). A participação no evento teve como objetivos acompanhar trajetórias de agtechs, estabelecer contatos com fundos de investimento de capital de risco (venture capital) e identificar fintechs e experiências relacionadas à inovação financeira e ao crédito destinado à agricultura.
A apresentação também destacou os desafios encontrados na aproximação com empresas do setor financeiro digital, indicando a necessidade de explorar novas estratégias de contato para viabilizar as próximas etapas da pesquisa de campo.
Outro eixo apresentado pelo professor foi o estudo sobre as fintechs e suas relações com o financiamento rural. A investigação busca compreender a participação dessas empresas nas transformações recentes dos mecanismos de crédito agrícola e as condições para o desenvolvimento de pesquisas junto a esses atores. O professor apresentou ainda os avanços do estudo de caso sobre tecnologias digitais voltadas à gestão da comercialização em cooperativas da agricultura familiar. A pesquisa pretende analisar as implicações dessas ferramentas para os processos de gestão e organização das cooperativas, com atenção a tecnologias como lojas virtuais e plataformas digitais utilizadas na relação com a administração pública.
Estão previstas investigações junto a três cooperativas: a Coopernatural, vinculada à produção orgânica; a Cooperlat, do setor de produtos lácteos; e a Bionatur, dedicada a sementes agroecológicas. O planejamento apresentado prevê a realização de levantamentos junto às cooperativas e a elaboração dos itinerários de pesquisa para aprofundar a análise desses casos.
Essas investigações deverão produzir dados tanto para pesquisas acadêmicas individuais quanto para as análises desenvolvidas nos diferentes eixos do DIGIPOLAGRI. A apresentação também indicou a perspectiva de explorar outros casos relacionados à digitalização da agricultura, incluindo o tema da rastreabilidade por meio da plataforma JetBov.
Além da apresentação dos avanços das pesquisas brasileiras, o ateliê constituiu um espaço de discussão transversal entre as equipes envolvidas nos diferentes eixos do projeto. A programação contemplou o compartilhamento do andamento dos trabalhos na França e no Brasil, o planejamento das próximas atividades e a reflexão sobre as relações entre digitalização das políticas públicas, transformação digital da agricultura e transição ecológica.
A participação do professor Cristiano Desconsi reforça a inserção do LERU/UFSC e do PPGAdm em uma rede internacional de pesquisa dedicada a compreender as mudanças tecnológicas e organizacionais na agricultura contemporânea. Ao investigar as relações entre inovação digital, financiamento, comercialização e organização da agricultura familiar, o trabalho contribui para ampliar o conhecimento sobre como as tecnologias digitais são incorporadas aos sistemas agrícolas e sobre seus possíveis efeitos nos territórios rurais, considerando a diversidade de produtores, organizações e modelos de desenvolvimento agrícola.
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Farinha artesanal de mandioca de Garopaba: articulação busca viabilizar fornecimento para a merenda escolar
Reunião entre UFSC, Epagri e secretarias municipais definiu estratégias para ampliar a participação dos engenhos locais no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
No dia 27 de agosto, representantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e de diferentes secretarias municipais reuniram-se na Secretaria Municipal de Educação de Garopaba (SC) para discutir estratégias de inclusão da farinha artesanal de mandioca produzida nos engenhos do município na alimentação escolar, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
O encontro foi coordenado pelo Escritório Municipal da Epagri e integrou as ações do projeto “Inclusão Produtiva com Segurança Sanitária da Farinha Artesanal de Mandioca de Garopaba”, coordenado pelo professor Cristiano Desconsi, e projeto vinculado ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU) da UFSC.
Participaram da reunião, pelo LERU/UFSC, o professor Cristiano Desconsi; Tiago Bini, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAdm/UFSC); e Victória Scharcow de Vargas, bolsista voluntária. Também estiveram presentes nutricionistas da Secretaria Municipal de Educação, extensionistas dos escritórios Municipal e Regional da Epagri, representantes das Secretarias Municipais de Cultura, Agricultura e Pesca e Saúde, incluindo a Vigilância Sanitária.
Durante a reunião, foram discutidos os principais desafios fiscais, sanitários e organizativos que precisam ser enfrentados para viabilizar a compra da farinha artesanal de mandioca produzida nos engenhos de Garopaba para a merenda escolar do município.
Garopaba já realizou aquisições de farinha artesanal de mandioca por meio do PNAE, provenientes de empreendimentos da agricultura familiar. Entretanto, essas compras ainda não contemplaram os engenhos de farinha localizados no próprio município. A discussão concentrou-se, portanto, na identificação das condições necessárias para que os produtores locais possam acessar essa oportunidade de comercialização, considerando as exigências envolvidas na aquisição e no fornecimento de alimentos para a rede pública de ensino.
A aproximação entre os setores responsáveis pela alimentação escolar, pela agricultura, pela extensão rural e pela vigilância sanitária constitui uma etapa importante para identificar possíveis adequações, esclarecer procedimentos e construir alternativas que articulem a produção artesanal às demandas da política pública de alimentação escolar.
Como encaminhamento, foram definidas estratégias conjuntas a serem desenvolvidas nos próximos meses, com o objetivo de avançar na superação dos desafios identificados e viabilizar o fornecimento da farinha artesanal de mandioca pelos engenhos do próprio município a partir do próximo ano.
A iniciativa busca aproximar a produção tradicional de farinha das oportunidades de comercialização oferecidas pelas políticas públicas, fortalecendo os vínculos entre agricultura familiar, produção artesanal e alimentação escolar.
Para o projeto desenvolvido pelo LERU/UFSC, essa articulação representa um passo importante na construção de alternativas de inclusão produtiva associadas à segurança sanitária da farinha artesanal de mandioca. Ao reunir diferentes instituições e áreas de atuação, o trabalho contribui para a valorização dos engenhos locais, dos conhecimentos envolvidos na produção tradicional e das possibilidades de inserção desse produto nas compras públicas municipais.
A continuidade das ações dependerá do trabalho conjunto entre os atores envolvidos, buscando criar condições para que a farinha artesanal produzida em Garopaba possa integrar, de forma efetiva, a alimentação escolar e fortalecer a relação entre produção local e políticas públicas.
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Oficina de culinária africana promove troca de saberes e celebra culturas da Guiné-Bissau e do Haiti na UFSC
O Laboratório de Estudos Rurais (LERU), do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizou, no dia 25 de setembro, a Oficina de Culinária Africana | Especial Guiné-Bissau e Haiti. A atividade ocorreu das 13h às 17h, na Usina da CAL/CCA/UFSC, como parte das ações do Projeto de Extensão Ubuntu: Africanidades, identidades, costumes, culturas e práticas alimentares.Mais do que ensinar receitas, a oficina foi proposta como um espaço de encontro, troca de saberes e internacionalização dentro da própria universidade, aproximando estudantes e comunidade acadêmica de diferentes culturas, histórias e práticas alimentares.
A realização da atividade teve um significado ainda mais especial para os estudantes guineenses por ocorrer na semana em que a Guiné-Bissau celebrou 53 anos de sua independência, comemorada em 24 de setembro. Compartilhar o Sigá e outros elementos da cultura guineense nesse período festivo tornou a oficina também uma oportunidade de celebrar o país, manter vivas memórias e tradições e compartilhar com a comunidade universitária parte de sua história e identidade.
A oficina partiu de uma compreensão ampliada da internacionalização. Para além de intercâmbios e da mobilidade de estudantes para outros países, a internacionalização também acontece quando diferentes pessoas, culturas, histórias e conhecimentos se encontram dentro da própria universidade.
Nesse sentido, o Ubuntu constitui uma experiência de internacionalização em casa, na qual os estudantes africanos ocupam lugar central na construção das atividades e no compartilhamento de seus conhecimentos. Como destacado na abertura da oficina, a proposta não era simplesmente aprender receitas, mas aprender com os estudantes, reconhecendo suas experiências, memórias e práticas como parte da diversidade de saberes que a universidade deve valorizar.
Um dos princípios que orientaram a atividade foi a compreensão de que o conhecimento não circula em uma única direção. O Projeto Ubuntu foi apresentado como uma iniciativa construída pelos próprios estudantes e compartilhada com a UFSC.
“Nós ensinamos, vocês ensinam; nós compartilhamos, vocês compartilham. E, nesse encontro, todos nós aprendemos”, destacou a professora Daniela Aparecida Pacífico, supervisora do LERU e coordenadora do Projeto Ubuntu, em sua fala de abertura da atividade. Essa perspectiva expressa um dos sentidos do Ubuntu: a compreensão de que as pessoas se constituem nas relações com os outros e de que o conhecimento também é produzido e compartilhado coletivamente.
A abertura da atividade também trouxe reflexões sobre a importância de compreender a alimentação para além do preparo e do consumo dos alimentos, considerando as relações sociais, econômicas e territoriais envolvidas em sua produção. Como destacou o professor Valmir Luiz Stropasolas, durante sua fala na abertura da oficina, “compreender sobre a origem dos alimentos, sobre quem produz e como produz é parte constituinte de qualquer discussão sobre alimentação”. Essa perspectiva amplia o olhar sobre a comida, conectando as práticas culinárias às pessoas que produzem os alimentos, aos seus modos de vida e aos sistemas de produção que sustentam a alimentação.
A culinária foi, assim, o ponto de partida para abordar temas que ultrapassam o preparo e o consumo dos alimentos. Ingredientes, receitas e formas de preparar e compartilhar uma refeição carregam memórias, identidades, territórios, histórias familiares e modos de produzir e viver.
Ao cozinhar juntos, os participantes puderam não apenas conhecer diferentes preparações, mas também conversar sobre as histórias e experiências associadas a elas. A alimentação tornou-se, assim, uma forma de aproximar pessoas e culturas.
A realização da oficina também contou com a colaboração do grupo de agricultores agroecológicos Flor do Fruto, de Biguaçu (SC), responsável pela feira semanal realizada no CCA/UFSC. O grupo realizou a doação de alimentos diversificados utilizados na preparação dos dois pratos da oficina, contribuindo diretamente para a realização da atividade e para a valorização da produção agroecológica e da agricultura familiar. O Projeto Ubuntu e o LERU registram seu agradecimento aos agricultores, na pessoa do agricultor e agrônomo Anderson Luís Romão, “grande parceiro de nossos projetos”. Essa colaboração reforça a importância de aproximar a universidade dos agricultores e de reconhecer que as experiências alimentares também envolvem relações de cooperação, produção e compartilhamento. Da mesma maneira, registramos agradecimento a cineasta Iara Lee e a Cultures of Resistance Network Foundation pela doação dos demais ingredientes que compuseram as receitas.
A programação também buscou destacar a diversidade do continente africano. África reúne diferentes povos, países, línguas, histórias, territórios, ingredientes, técnicas culinárias e tradições. Por isso, conhecer uma preparação específica é apenas uma porta de entrada para essa diversidade.
A oficina concentrou-se especialmente nas referências culturais da Guiné-Bissau, com a participação de estudantes das etnias Fula e Pepel, e estabeleceu também um diálogo com a cultura e a história do Haiti por meio de sua culinária.
O Sigá pelas mãos das etnias Fula e PepelUm dos destaques da atividade foi a preparação do Sigá, prato da tradição culinária da Guiné-Bissau, compartilhado pelos estudantes a partir de suas referências e experiências culturais. A preparação permitiu conhecer ingredientes, técnicas e formas de compartilhar o alimento, ao mesmo tempo em que abriu espaço para conversar sobre identidade, pertencimento e transmissão de conhecimentos entre gerações. Para os estudantes guineenses, cozinhar e compartilhar o Sigá justamente na semana de comemoração da independência conferiu à atividade um significado particular: a cozinha tornou-se também espaço de celebração, memória e afirmação cultural. As/os oficineiras/os do Sigá foram os guineenses: Valdinora Alfredo Co, Diana Carlitos Da Silva, Camenamul Upá Nambeué e Antchu Atenca Có, e estudantes de graduação em Agronomia.
A Soup Joumou e a independência do HaitiA programação também trouxe a Soup Joumou, preparação tradicional haitiana associada à história da independência do país. A sopa é tradicionalmente preparada e consumida no dia 1º de janeiro, data em que o Haiti celebra sua independência. Sua história está ligada ao processo de emancipação haitiano e à transformação de uma preparação que era associada às elites coloniais em um importante símbolo da identidade nacional e da liberdade. A Soup Joumou foi inscrita, em 2021, na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, que reconhece também sua dimensão comunitária e seu papel na transmissão de valores culturais e no fortalecimento dos vínculos sociais. Ao reunir estudantes africanos dos quatro cursos de graduação do CCA, bem como estudantes dos cursos de Enfermagem e Medicina da UFSC, professores, representantes da direção do CCA e membros da comunidade externa, a oficina transformou a cozinha em um espaço de diálogo intercultural e construção de relações. As oficineiras da Soup Joumou foram as haitianas: Thamara Colin, estudante de graduação em Agronomia, Ruth-Valine Etienne, médica e estudante de doutorado em Saúde Coletiva, e Nathanaelle Jean Baptiste, enfermeira e estudante de doutorado em Saúde Coletiva.
A atividade contou também com representantes dos centros acadêmicos, do Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (CEPAGRO), do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF), do Laboratório de Educação do Campo e Estudos da Reforma Agrária (LECERA), do Laboratório de Estudos Rurais (LERU), do Laboratório de Estudos da Multifuncionalidade Agrícola e Território (LEMATE) e da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), além de representantes da Escola Municipal do Rio Vermelho. Lideranças do Quilombo Vidal Martins também haviam confirmado presença. Integrantes do quilombo participam do Projeto Ubuntu, ampliando o alcance comunitário da iniciativa e fortalecendo as possibilidades de diálogo entre a universidade e as comunidades tradicionais.
A proposta foi experimentar, cozinhar, conversar, perguntar, contar histórias, lembrar de casa e conhecer outras experiências culturais.
Para o LERU, a atividade reforça a importância de criar espaços em que diferentes sujeitos possam compartilhar seus conhecimentos, culturas, identidades e histórias no cotidiano da universidade. O Projeto Ubuntu materializa essa perspectiva ao transformar a diversidade cultural presente na UFSC em oportunidade de aprendizagem e convivência, articulando também o reconhecimento dos saberes dos estudantes, a valorização dos agricultores e a aproximação com a comunidade externa.
Como sintetiza o próprio princípio que inspira o projeto, “eu sou porque nós somos”.
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Participação no Startup Summit integra pesquisa sobre ecossistemas de inovação e transformações digitais nas organizações da agricultura
Entre os dias 26 e 28 de agosto de 2026, o professor Dr. Cristiano Desconsi, do Laboratório de Estudos Rurais (LERU) e do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAdm) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), participou do Startup Summit 2026, realizado no Centro de Eventos de Florianópolis.Organizado anualmente pelo Sebrae Startups, o evento reúne profissionais, pesquisadores, startups, investidores, empresas públicas e privadas e lideranças vinculadas ao setor de tecnologia e inovação. A participação do LERU no evento esteve relacionada a uma etapa de pesquisa de campo, envolvendo a coleta de informações sobre startups, investidores e diferentes atores e iniciativas que compõem os ecossistemas de inovação.
As atividades integram o projeto de pesquisa “Ecossistemas de inovação e as transformações digitais em organizações da agricultura no Brasil”, coordenado pelo professor no âmbito do LERU e do PPGAdm/UFSC, SIGPEX (202605685). A pesquisa busca compreender as contribuições e os limites de diferentes ecossistemas de inovação para os processos de transformação digital na agricultura, considerando especialmente suas implicações sobre as dimensões organizacionais e financeiras das organizações do setor.
Este projeto de pesquisa está inserido na cooperação entre o LERU e a Unité Mixte de Recherche Acteurs, Ressources et Territoires dans le Développement (UMR 5281 Art-Dev), do Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement (CIRAD), sediada em Montpellier, na França. Jean Fronçois Le Coq é o pesquisador parceiro da pesquisa na UMR Art-dev. Desta articulação encontra-se em tramitação um acordo entre as instituições para a conjugação de esforços na execução da pesquisa.
A iniciativa também está alinhada ao projeto de pesquisa coordenado pelo CIRAD ANR-25-CESS-7103 – “Transformation numérique et politiques dans l’agriculture et les territoires ruraux (DIGIPOLAGRI)”, voltado às relações entre transformação digital, políticas públicas, agricultura e territórios rurais.
Nesse contexto, a participação no Startup Summit amplia as possibilidades de aproximação com atores, organizações e iniciativas que integram os ecossistemas contemporâneos de inovação e contribui para a construção do campo empírico da pesquisa desenvolvida pelo LERU.
A presença no evento reafirma, assim, a atuação do Laboratório de Estudos Rurais na investigação das transformações que atravessam as organizações e os territórios rurais, articulando pesquisa acadêmica, inovação tecnológica e cooperação científica nacional e internacional.
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Membro do LERU qualifica projeto de pesquisa de mestrado no PPGA/UFSC
No dia 31 de agosto de 2026, a mestranda Sofia Silva Lemos, do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas (PPGA/UFSC), realizou a qualificação de seu projeto de pesquisa. A banca foi composta pela professora Dra Maria José Hotzel, pelo professor Dr. Caetano Sordi, e pela professora Dra Daniela Aparecida Pacífico (orientadora).
Intitulado Contribuições mútuas dos saberes e práticas pluridiversos com a Agroecologia: o cuidado com os quintais e o corpo-território, o projeto investiga os saberes e práticas de cuidado presentes nos quintais da Grande Florianópolis e suas relações com a perspectiva corpo-território, buscando compreender suas contribuições mútuas com a Agroecologia para a sustentabilidade e a soberania.
A pesquisa adota uma perspectiva transdisciplinar, articulando abordagens decoloniais, contracoloniais, ecofeministas e dos feminismos comunitários, além de pesquisa de campo com observação participante, diálogo de saberes e diferentes ferramentas de registro e sistematização das experiências nos quintais.
Entre os resultados esperados estão o fortalecimento comunitário, a sistematização e valorização dos saberes locais, a compreensão das relações entre biodiversidade, saúde e território e o reconhecimento das práticas pluridiversas de cuidado como dimensões fundamentais da práxis agroecológica.
A qualificação representa mais uma etapa importante na trajetória acadêmica da mestranda e no desenvolvimento de pesquisas que aproximam Universidade, comunidades e Agroecologia, valorizando a diversidade de saberes e práticas presentes nos territórios.
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SELEÇÃO DE BOLSISTAS DE EXTENSÃO
A professora Daniela Aparecida Pacífico, no uso de suas atribuições , conforme o disposto no EDITAL Nº 08/2025/PROEX – Probolsas 2026, tornam pública a abertura das inscrições para o Edital n.02 de seleção de bolsistas de extensão com o objetivo de selecionar alunos/as de graduação que irão desenvolver atividades de extensão no âmbito do Projeto UBUNTU: Africanidades, identidades, costumes, culturas e práticas alimentares.
- As inscrições deverão ser realizadas no período de 08/09/2026 até 10/09/2026 por meio de preenchimento do formulário Aqui.
Edital_n.2_selecao_de_bolsistas_assinado - Resultado_FINAL_Bolsa_Especial_setembro_2026_assinado
- As inscrições deverão ser realizadas no período de 08/09/2026 até 10/09/2026 por meio de preenchimento do formulário Aqui.
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Pesquisadores do LERU apresentam capítulo de livro no Seminário Nacional sobre Extensão Rural
A professora Daniela Aparecida Pacífico, do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), participou, entre os dias 26 e 28 de agosto de 2026, do Seminário “Extensão Rural no Brasil: Diagnóstico, Governança e Agenda Estratégica”, realizado na Faculdade de Engenharia Agrícola (FEAGRI) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em Campinas (SP).
O evento reuniu autoras e autores dos capítulos que irão compor o livro homônimo, além de pesquisadores, extensionistas e gestores públicos, em um espaço dedicado à apresentação, ao debate e ao aperfeiçoamento coletivo das contribuições sobre os desafios e as perspectivas da extensão rural brasileira.
Na ocasião, a professora Daniela Pacífico apresentou o capítulo “A extensão rural na territorialização da ação pública: mediação, instrumento e territórios de diversidade”, tendo como coautor o professor Cristiano Desconsi, também do LERU. O capítulo analisa como a extensão rural participa da territorialização da ação pública por meio de processos de mediação e de dinâmicas de coprodução das políticas públicas no meio rural.
A reflexão desenvolvida pelos pesquisadores propõe um deslocamento da compreensão da extensão rural como serviço predominantemente técnico e social para entendê-la como uma interface entre Estado, políticas públicas, instituições, sujeitos e territórios. Nessa perspectiva, a extensão não apenas executa políticas, mas participa ativamente da construção das condições para que elas adquiram existência concreta nos territórios. O capítulo retoma resultados de pesquisa realizada no Norte de Minas Gerais, entre 2011 e 2016, durante o acompanhamento da implementação do Plano Brasil Sem Miséria Rural e do cotidiano das equipes de extensão rural. A experiência de campo evidenciou que a implementação das políticas não ocorre pela simples aplicação de regras: envolve interpretação de normas, articulação institucional, negociação de procedimentos, adaptação de ferramentas e mediação de conflitos.
A análise também destaca o papel dos instrumentos de ação pública, mostrando como dispositivos como as Chamadas Públicas de ATER organizam públicos, metas, temporalidades, produtos, monitoramento e prestação de contas, mas, ao mesmo tempo, demandam dos agentes de extensão a capacidade de interpretar critérios, confrontar cadastros com a realidade, localizar famílias, negociar soluções e construir alternativas adequadas às especificidades territoriais.
Um dos principais argumentos apresentados é que a territorialização da ação pública emerge da interação entre diferentes dimensões da diversidade – territorial, institucional, dos públicos e seus conhecimentos, e da rede sociotécnica da qual fazem parte – articuladas por processos de mediação e tradução. Assim, as redes sociotécnicas constituídas em torno dos instrumentos são fundamentais para que as políticas possam operar em contextos rurais heterogêneos.
A partir dessa abordagem, o capítulo aponta três contribuições centrais para pensar a extensão rural: a extensão como mediação estratégica entre Estado e sociedade; a implementação como espaço de produção da própria ação pública; e os limites de modelos excessivamente padronizados diante da diversidade social e produtiva dos territórios.
As discussões realizadas durante o seminário contribuíram, ainda, para a construção de uma agenda estratégica para o fortalecimento da extensão rural brasileira, destacando a necessidade de instrumentos com margens responsáveis de adaptação, reconhecimento da diversidade dos territórios, participação e coprodução dos públicos e valorização do trabalho extensionista de tradução, articulação e negociação.
A participação do LERU no seminário reforça o compromisso do laboratório com a produção de conhecimento e com o debate sobre políticas públicas, ação pública, desenvolvimento rural e extensão rural, contribuindo para aproximar a pesquisa acadêmica dos desafios concretos enfrentados nos territórios brasileiros.
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Projeto UBUNTU inicia o semestre com celebração das culturas e africanidades no CCA/UFSC
O segundo semestre de 2026 começou com muita interação, cultura e alegria no Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O Projeto de Extensão UBUNTU: Africanidades, Identidades, Costumes, Culturas e Práticas, vinculado ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC) e coordenado pela professora Daniela Aparecida Pacífico, promoveu, nos dias 17 e 24 de agosto, oficinas voltadas à valorização das culturas e identidades africanas.
As atividades foram organizadas com o protagonismo dos estudantes bolsistas do Projeto UBUNTU, Ozia Augusta Itamba, Antchu Atenca Có e Fernando Francisco José Kualala, que, juntamente com os demais integrantes do projeto, vêm construindo uma programação que aproxima a comunidade acadêmica das diferentes expressões culturais africanas presentes no CCA.
Dança, identidade e cultura africana
No dia 17 de agosto, foi realizada uma oficina de dança africana, com a participação de integrantes do Grupo Angolano Piluca, que conduziram atividades de semba e kizomba. Realizada no Hall do CCA, próximo à Biblioteca, a oficina marcou o início das atividades do semestre com música, movimento e integração.
Durante a atividade, os convidados apresentaram aspectos da origem e dos significados das danças trabalhadas, possibilitando aos participantes conhecer não apenas os movimentos, mas também elementos dos contextos culturais nos quais essas manifestações se constituem.
A oficina teve como propósito promover a valorização das identidades e culturas africanas por meio da dança, compreendida como uma forma de expressão que articula memória, pertencimento, sociabilidade e produção de identidades.
Tranças e tecidos africanos
Na semana seguinte, no dia 24 de agosto, o UBUNTU promoveu uma oficina de tranças e tecidos africanos, também realizada no Hall do CCA, ao lado da Biblioteca. A atividade reuniu estudantes e integrantes da comunidade acadêmica em torno de diferentes formas de expressão estética e cultural vinculadas às tradições africanas.
A oficina contou com a participação de Luciana Napitango João Faustino, Madalena de Sousa Manuel, Nelma Manuel Pinheiro, Thamara Colin, Valdinora Alfredo Co, Maria Rosa Hilário, Lazaro Nanque, Abrão Matias Felipe, entre outros colaboradores, que compartilharam conhecimentos e técnicas relacionados às tranças e aos tecidos africanos.
Além do caráter formativo e cultural, a atividade proporcionou um espaço de convivência e troca de saberes. A participação foi gratuita, e os participantes puderam também receber certificação pela atividade.
UBUNTU: aprender, compartilhar e construir coletivamente
As atividades realizadas no início deste semestre reafirmam a proposta do Projeto UBUNTU de constituir, no espaço universitário, um ambiente de diálogo intercultural, valorização das africanidades e reconhecimento da diversidade de saberes, práticas e identidades.
Mais do que uma programação cultural, as oficinas expressam o protagonismo da comunidade de estudantes africanos do CCA e sua participação ativa na construção de espaços de pertencimento, visibilidade e intercâmbio cultural dentro da universidade.
O LERU celebra o envolvimento dos estudantes e de todos os colaboradores que tornam possível a realização das atividades do UBUNTU e convida a comunidade acadêmica a acompanhar e participar das próximas ações do projeto.
Ubuntu é construção coletiva: eu sou porque nós somos.
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Pesquisadoras do LERU participam de Encontro Nacional de Pesquisadoras em Feminismos e Ruralidades e da 5ª edição do Prêmio Margarida Alves
As pesquisadoras do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), Karolyna Marin Herrera e Daniela Aparecida Pacífico, participaram do Encontro Nacional de Pesquisadoras em Feminismos e Ruralidades e da Cerimônia de Certificação da 5ª Edição do Prêmio Margarida Alves, realizado entre os dias 18 e 20 de agosto de 2026, em Brasília (DF). O encontro reuniu 34 grupos de pesquisa que atuam com feminismo e ruralidade, além de representantes das organizações científicas e Ministérios, e teve como objetivo fortalecer as reflexões sobre gênero, feminismos, ruralidades e políticas públicas, apresentando resultados de pesquisas recentes sobre esse campo de estudos e discutindo suas contribuições para a avaliação, o aprimoramento e a proposição de políticas públicas para as mulheres rurais. A programação também buscou construir recomendações para o fortalecimento das pesquisas sobre gênero, feminismos e ruralidades, além de promover o diálogo entre conhecimentos acadêmicos e saberes populares vinculados ao Prêmio Margarida Alves.
A professora Karolyna Marin Herrera participou do encontro de forma on-line, em razão da realização de seu pós-doutorado no exterior, e, juntamente com a pesquisadora Julia Terto (PPGCS/UFRPE), apresentou resultados da pesquisa Estudos Rurais Feministas, Memória e Políticas Públicas: Mapeamento, crítica e construção de novos saberes. A pesquisa realizou um diagnóstico nacional da produção acadêmica, dos grupos de pesquisa e das redes de circulação do conhecimento relacionados aos estudos rurais feministas. A apresentação integrou o Painel 1 – Estudos rurais feministas: o estado da arte.
Ao longo dos três dias, a programação contemplou diferentes dimensões do campo de estudos e de sua relação com as políticas públicas. O Painel 2 – Programas e ações de apoio a estudos e pesquisas e conexão com gênero e feminismo rural, além de uma parte dedicada à apresentação e ao debate sobre os sistemas de registros do governo. O primeiro dia de encontro foi concluído com as atividades dos Grupos de Trabalhos, no qual cada um debateu e fez sugestões propositivas acerca dos temas de interesse. No segundo dia, o Painel 3, dividido em parte I e II, abordou a inserção das mulheres rurais nas estatísticas oficiais e nos registros administrativos das políticas públicas, seguido de grupos de trabalho voltados à construção de desafios e recomendações. A programação do dia terminou com a Cerimônia de Certificação da 5ª Edição do Prêmio Margarida Alves, que contou com a entrega de certificados às autoras e aos autores dos trabalhos premiados publicados no livro 5ª Edição do Prêmio Margarida Alves de Estudos sobre Ruralidades e Feminismos. A Cerimonia foi realizada no Bloco K da Esplanada dos Ministérios, no Auditório Celso Furtado, e contou com a participação da Ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.
O terceiro dia foi dedicado à síntese dos trabalhos dos grupos, à avaliação do edital do Prêmio Margarida Alves e à discussão de desafios e perspectivas para sua próxima edição. A pesquisa nacional Estudos Rurais Feministas, Memória e Políticas Públicas é coordenada pela professora Andrea Butto (PPGCS/UFRPE) e trata-se de uma pesquisa resultado de parceria entre a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com a participação de pesquisadoras de diferentes regiões, dentre elas a professora Karolyna. A participação das pesquisadoras do LERU no encontro contribui para a inserção do Laboratório em um espaço nacional de articulação entre pesquisa, feminismos, ruralidades e políticas públicas.

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Pesquisadores do LERU apresentam estudos sobre agroecologia, cooperativismo e mercados territoriais no Congresso Mundial de Sociologia Rural
Os pesquisadores Daniela Aparecida Pacífico e Cristiano Desconsi, do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), participaram do 16th World Congress of Rural Sociology, realizado entre os dias 19 e 23 de julho de 2026, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS).O evento reuniu pesquisadores e pesquisadoras dedicados à análise das transformações contemporâneas no meio rural e nos sistemas agroalimentares. A participação dos pesquisadores do LERU contribuiu para dar visibilidade à produção científica desenvolvida pelo Laboratório, articulando diferentes dimensões dos estudos rurais, como agroecologia, produção de conhecimentos, políticas públicas, cooperativismo, mercados territoriais e formas de organização econômica.
Durante o Congresso, foram apresentados três trabalhos vinculados a pesquisas desenvolvidas pelos pesquisadores do LERU, abordando diferentes experiências e processos relacionados às transformações dos sistemas agroalimentares e às dinâmicas sociais, institucionais e territoriais do meio rural.
- Coprodução do conhecimento agroecológico e tecnologias nos contextos de NEA e CVT
A pesquisadora Daniela Aparecida Pacífico, em coautoria com Carla Gualdani, Regina Helena Rosa Sambuichi, Mariana Aquilante Policarpo e Fábio Alves, apresentou o trabalho Co-production of Agroecological Knowledge: Technologies and Practices in NEA and CVT Institutional Contexts, vinculado à área temática IRSA 28 – Pathways for Food Democracy and Agrifood Justice in Territorial Food Systems. O estudo foi desenvolvido junto da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (DIRUR) do IPEA, entre 2022 e 2024, e esteve relacionado à análise dos bioinsumos produzidos e utilizados no âmbito dos Núcleos de Estudos em Agroecologia (NEA) e dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT).
A pesquisa compreende os NEA e CVT como institucionalidades situadas em universidades e institutos federais, constituídas por meio de editais públicos do CNPq e caracterizadas pela articulação entre universidade, agricultores, organizações sociais e territórios. A partir da abordagem da coprodução do conhecimento, de Jasanoff (2004), o estudo analisa a produção técnico-científica desses núcleos não apenas como resultados de pesquisa, mas como espaços de constituição simultânea de conhecimentos, práticas e formas institucionais da agroecologia. Para isso, foi realizada uma revisão sistemática de 176 estudos, abrangendo todas as regiões do Brasil e envolvendo 71 NEA e 5 CVT, com trabalhos que contemplam desde ações educativas, organização social e comercialização até manejo, práticas produtivas, insumos biológicos, transição agroecológica e sistemas agroflorestais.
Entre os principais resultados, a pesquisa identificou duas racionalidades metodológicas na produção do conhecimento agroecológico. A primeira é mais experimental e laboratorial e compreende a tecnologia como produto, especialmente no desenvolvimento de bioinsumos-produto realizado dentro dos espaços institucionais. A segunda é mais territorial, relacional e sistêmica e compreende a tecnologia como processo, associada a dinâmicas de manejo, experimentação e troca de saberes desenvolvidas nos territórios. Essas racionalidades se relacionam a três formas de institucionalização da agroecologia identificadas no estudo: científico-institucional, territorial-relacional e científico-territorial, esta última combinando atividades realizadas dentro e fora dos espaços institucionais.
Os resultados evidenciam que a contribuição dos NEA e CVT ultrapassa a geração ou o resgate de tecnologias agroecológicas. Sua principal contribuição está na construção de formas coletivas e territorializadas de produção do conhecimento, nas quais ciência, práticas sociais e processos ecológicos são coproduzidos. Assim, a forma de produzir conhecimento nesses espaços revela diferentes modos de institucionalização da agroecologia e diferentes possibilidades de articulação entre ciência, território e sujeitos sociais, reforçando o papel dos NEA e CVT como importantes espaços de construção e institucionalização do conhecimento agroecológico no Brasil.
DOI: 10.29327/9786527226680.1447166. O trabalho completo está disponível nos anais do evento:
Co-production of Agroecological Knowledge: Technologies and Practices in NEA and CVT Institutional Contexts- Programa Mais Gestão e fortalecimento das cooperativas da agricultura familiar
O pesquisador Cristiano Desconsi, em coautoria com Fábio Luiz Búrigo, Rui Alvacir Netto e Marcelos João Alves, apresentou o trabalho Mais Gestão Program: Analysis of the Processes and Results Generated by the Management Advisory Project for Family Farming Cooperatives in Southern Brazil, inserido na área temática IRSA 31 – Cooperatives and Their Role for a Sustainable Rural Future.
O artigo analisa a experiência do Projeto Mais Gestão Sul, que abrangeu 68 organizações da região Sul do Brasil entre 2024 e 2025, tendo a Universidade Federal de Santa Catarina como instituição executora.
A pesquisa discute os desafios enfrentados por cooperativas de agricultores familiares e assentados da reforma agrária, especialmente no que se refere à qualificação dos processos de gestão e organização. A partir de informações quantitativas e qualitativas produzidas no âmbito do projeto, o estudo reflete sobre as relações entre gestão, governança cooperativa e sustentabilidade.
Os resultados evidenciam a importância das políticas públicas voltadas à qualificação dos processos gerenciais e organizativos das cooperativas, bem como a necessidade de desenvolver metodologias e técnicas de gestão próprias para organizações cooperativas, capazes de considerar sua heterogeneidade social, econômica e seus diferentes objetivos.
DOI: 10.29327/9786527226680.1442073. O trabalho completo pode ser acessado nos anais do Congresso:
Mais Gestão Program: Analysis of the Processes and Results Generated by the Management Advisory Project for Family Farming Cooperatives in Southern Brazil- Mercados de reciprocidade e valoração moral nos engenhos de farinha de Garopaba
Também foi apresentado por Cristiano Desconsi, em coautoria com Tiago José Bini, Rene Birochi, Daniela Pacífico e Vinícius Dequi Forcelini, o trabalho Mercados de Reciprocidade e Valoração Moral em Mercados Territoriais: o Caso dos Engenhos de Farinha de Garopaba/SC, vinculado à área temática IRSA 39 – Territorial Markets as Spaces of Value.
A pesquisa analisa os mercados agroalimentares territoriais a partir do estudo da produção artesanal de farinha de mandioca em engenhos tradicionais de Garopaba, em Santa Catarina. Com base em pesquisa de campo realizada em 2025, o estudo investiga como instituições, relações sociais e normas comunitárias influenciam a organização dos mercados, as formas de circulação da produção e os processos de formação de preços.
O trabalho articula contribuições da sociologia econômica e da antropologia econômica, mobilizando as noções de enraizamento das ações econômicas, economia socialmente incrustada e reciprocidade. A análise evidencia a coexistência, nos engenhos de farinha, de trocas mercantis, práticas de reciprocidade e circuitos de autoconsumo, conformando uma economia plural orientada à reprodução social das famílias e da comunidade.
Os resultados indicam ainda que os preços não são definidos exclusivamente por mecanismos impessoais de oferta e demanda. Ao contrário, envolvem processos sociais de valoração e coordenação, expectativas compartilhadas, julgamentos morais e normas comunitárias. Dessa forma, o preço assume caráter relacional e ajustável, sendo negociado de acordo com as relações sociais e as condições dos compradores.
DOI: 10.29327/9786527226680.1442093. O trabalho está disponível nos anais do evento:
Mercados de Reciprocidade e Valoração Moral em Mercados Territoriais: o Caso dos Engenhos de Farinha de Garopaba/SCA participação no 16th World Congress of Rural Sociology evidencia a inserção do LERU em debates contemporâneos da Sociologia Rural e dos Estudos Rurais, ao mesmo tempo em que amplia a circulação internacional de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Santa Catarina.
Os três trabalhos apresentados expressam diferentes frentes de investigação desenvolvidas pelos pesquisadores do Laboratório: a coprodução de conhecimentos e tecnologias agroecológicas, as políticas de fortalecimento das organizações cooperativas da agricultura familiar e os processos sociais de constituição e valoração dos mercados territoriais.
A participação da professora Daniela Aparecida Pacífico e do professor Cristiano Desconsi no Congresso também reafirma o compromisso do LERU com a produção e a disseminação de conhecimentos sobre as transformações dos mundos rurais, valorizando abordagens que articulam dimensões sociais, econômicas, tecnológicas, institucionais e territoriais.













