Laboratório de Estudos Rurais (LERU)
  • Professor do LERU participa de pesquisa internacional sobre transformação digital da agricultura na América Latina

    O professor Cristiano Desconsi, pesquisador do Laboratório de Estudos Rurais (LERU), do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), integra o projeto de pesquisa “Transformação digital da agricultura, dinâmicas territoriais e reconfigurações do regime agroalimentar corporativo na América Latina (DigiAgriTer-AL)”, aprovado no âmbito do Edital MCTI/CNPq nº 02/2026 – Programa de Cooperação Latino-Americana e Caribenha em Ciência, Tecnologia e Inovação – PROSUL Pepe Mujica.

    O projeto é coordenado pela professora Karina Kato do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e reúne instituições do Brasil, Argentina e Uruguai, incluindo a Universidad de la República (UDELAR), o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET), em parceria com a Universidad Nacional Arturo Jauretche (UNAJ), além do CIRAD, UFAM, UNSE, FURG e UFSC. A iniciativa também se articula com redes como a Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (REAF), a Rede Políticas Públicas e Agricultura Familiar (RedPPAL) e a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

    Com duração de 36 meses, a pesquisa tem como objetivo analisar como a digitalização da agricultura reconfigura os territórios rurais no Brasil, Argentina e Uruguai. A partir de uma perspectiva crítica das Ciências Sociais, o estudo considera que as transformações digitais não constituem processos exclusivamente técnicos, mas estão relacionadas a mudanças nas relações de poder, nas formas de organização do trabalho e no acesso à terra, à água e aos mercados.

    A investigação combinará estudos de caso territoriais, pesquisa qualitativa comparada e trabalho de campo em diferentes contextos, incluindo territórios de produção de commodities, de pecuária intensiva e da agricultura familiar.

    No âmbito do projeto, a atuação do professor Cristiano Desconsi envolverá contribuições à análise dos processos de inovação e do papel das startups na agricultura, bem como a participação nos debates sobre a digitalização da gestão em propriedades rurais. Também estão previstas sua participação em missões de pesquisa ao Uruguai e à Argentina, a coautoria de artigos científicos, a participação , em cursos de curta duração e a colaboração na organização das atividades acadêmicas realizadas no Brasil.

    Entre os resultados previstos estão publicações conjuntas, um livro coletivo e a realização de seminários. A participação do professor Cristiano Desconsi representa a inserção do LERU em uma agenda de cooperação científica latino-americana que articula estudos rurais e economia política e Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT), contribuindo para compreender os efeitos da digitalização sobre os territórios e as organizações da agricultura e discutir alternativas para sistemas agroalimentares mais inclusivos, sustentáveis e territorializados.


  • LERU participa da 23ª SEPEX/UFSC com projetos de pesquisa e extensão no Estando Desenvolvimento rural e agroecologia

       

    O Laboratório de Estudos Rurais (LERU), do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), participou da 23ª Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão (SEPEX/UFSC), realizada entre os dias 20 e 22 de outubro. Considerada um dos maiores eventos de divulgação científica de Santa Catarina, a SEPEX aproxima a Universidade da sociedade, apresentando ao público atividades e resultados de projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos na instituição.

    Nesta edição, a feira de ciências reuniu 84 estandes, distribuídos em seis áreas temáticas: comunicação, educação, tecnologia, direitos humanos, saúde e meio ambiente. Na área de tecnologia, o estande “Desenvolvimento Rural e Agroecologia” foi organizado conjuntamente pelos membros do LERU, do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF), do Laboratório de Estudos da Multifuncionalidade Agrícola e do Território (LEMATE) e do Laboratório de Educação do Campo e Estudos da Reforma Agrária (LECERA), que integram o Núcleo de Desenvolvimento Rural Sustentável do CCA/UFSC. A atividade também contou com a participação do Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (CEPAGRO).

    No estande, o LERU apresentou projetos de pesquisa e extensão que abordam temas relacionados à diversidade cultural, às práticas alimentares, à inclusão produtiva, à gestão de empreendimentos rurais, às transformações digitais na agricultura, às políticas públicas de bioinsumos e às boas práticas em territórios tradicionais e comunidades rurais.

    Sobre os Projetos de Extensão

    O projeto “UBUNTU: Africanidades, identidades, costumes, culturas e práticas alimentares” (202516049), coordenado pela professora Daniela Aparecida Pacífico, contou com a participação dos bolsistas Antchu Atenca Có, Fernando Francisco José Kualala, Ozia Augusta Itamba e Valdinora Alfredo Co. A iniciativa busca promover o reconhecimento e a valorização das africanidades, das identidades culturais e das práticas alimentares, destacando a diversidade de conhecimentos e experiências que constituem essas culturas.

    Os projetos “Inclusão produtiva com segurança sanitária da farinha de mandioca artesanal de Garopaba/SC” (202413953) e “Gestão dos custos e precificação de produtos de qualidade: acompanhamento e análise em empreendimentos rurais”, ambos coordenados pelo professor Cristiano Desconsi, também estiveram representados. O primeiro contou com a participação do bolsista Vinicius Dequi Forcelini nas ações relacionadas à qualificação da produção artesanal de farinha de mandioca, articulando inclusão produtiva e segurança sanitária. O segundo, com a participação da bolsista Jeniffer dos Santos, em temas ferramentas de gestão, acompanhamento de custos e formação de preços em empreendimentos rurais.

    Já o projeto “Sensibilização e apoio à realização de boas práticas, sustentáveis e saudáveis, em territórios de povos tradicionais e comunidades rurais e locais” (202416333), coordenado pela professora Karolyna Marin Herrera, contou com as bolsistas Gabrielle de Oliveira Rodrigues e Luana Paulino Luiz. A iniciativa desenvolve ações de sensibilização e apoio à adoção de práticas que contribuam para a sustentabilidade e a promoção da saúde nos territórios e comunidades envolvidos.

    Sobre os Projetos de Pesquisa

    Além das atividades de extensão, o LERU apresentou dois projetos de pesquisa desenvolvidos no laboratório.

    O projeto “Ecossistemas de inovação e as transformações digitais em organizações da agricultura no Brasil” (202605685), coordenado pelo professor Cristiano Desconsi, contou com a participação da bolsista de iniciação científica Emille Zingler. A pesquisa investiga os processos de inovação e as transformações digitais em organizações da agricultura brasileira, considerando as mudanças nas formas de organização e gestão das atividades agrícolas.

    O projeto “Políticas públicas estaduais de insumos biológicos para agricultura (bioinsumos): panorama nacional e análise dos instrumentos” (202602575), coordenado pela professora Daniela Aparecida Pacífico, teve a participação do bolsista de iniciação científica Caio de Paula Lemos dos Santos. A pesquisa busca compreender o panorama das políticas públicas estaduais voltadas aos bioinsumos no Brasil, com atenção aos instrumentos utilizados pelos governos estaduais para promover e regulamentar esse segmento da agricultura.

    A participação do LERU na SEPEX também foi marcada por uma proposta metodológica de interação com o público, que buscou apresentar os temas e as experiências do laboratório de maneira participativa, acessível e lúdica. Entre as atividades realizadas estiveram a exposição de banners dos projetos, a distribuição de adesivos dos laboratórios e a instalação de conceitos fundamentais que orientam a atuação do LERU. Também foram disponibilizados desenhos que retratam diferentes percepções e sentidos atribuídos ao rural, convidando os visitantes a refletir sobre a diversidade de olhares e experiências que constituem os espaços rurais. No âmbito do projeto UBUNTU, o público também pôde interagir com um quebra-cabeça do continente africano, atividade lúdica que possibilitou explorar a diversidade geográfica e cultural da África e despertar o interesse pelas africanidades.

    A programação interativa incluiu ainda a degustação de farinha artesanal de mandioca produzida pelo Engenho Vô Zeca, de Garopaba/SC, aproximando os visitantes de um produto e de uma prática tradicional da agricultura familiar. Outra atividade foi o jogo “Quanto tempo cabe em um dia”, voltado à valorização e à visibilização do trabalho das mulheres em diferentes âmbitos da vida social. Por meio da atividade, foram propostas reflexões sobre a distribuição do trabalho, as desigualdades de gênero e os desafios para a construção da equidade de gênero nos contextos rurais.

    Essas atividades ampliaram as possibilidades de diálogo com os visitantes, articulando conhecimentos científicos, experiências dos territórios, elementos da cultura rural e práticas de interação. A proposta reforçou a compreensão da divulgação científica como um processo de troca e construção de conhecimentos entre universidade e sociedade.

    A participação na SEPEX constituiu uma oportunidade de compartilhar com a comunidade os resultados e as experiências construídas pelos projetos de pesquisa e extensão do LERU, além de promover o diálogo entre universidade e sociedade. A presença conjunta dos laboratórios e do CEPAGRO no estande também evidenciou a importância da articulação institucional e interdisciplinar na produção e na socialização de conhecimentos sobre desenvolvimento rural e agroecologia.

    Ao participar de um evento de divulgação científica aberto ao público, o LERU reafirma seu compromisso com a produção e a socialização do conhecimento, com a extensão universitária, com a valorização dos conhecimentos e das práticas dos territórios rurais e com a construção de relações entre universidade e sociedade.


  • Artigo de pesquisadora do LERU integra Edição Especial de 20 anos da Revista Brasileira de Agroecologia

    A professora Daniela Aparecida Pacífico, pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), é uma das autoras de artigo publicado na Edição Especial 20 anos da Revista Brasileira de Agroecologia.

    O artigo analisa a produção técnico-científica dos Núcleos de Estudos em Agroecologia (NEA) no Brasil, buscando compreender as racionalidades metodológicas que orientam essa produção e suas relações com a institucionalização da agroecologia no campo acadêmico.

    Por meio de uma revisão sistemática da literatura, a pesquisa analisou 176 artigos e identificou as tecnologias agroecológicas. Movendo-se pela perspectiva dos estudos de ciência, tecnologia e sociedade (CTS), o estudo é derivado do Relatório de Pesquisa n.º 3, denominado “Análise das tecnologias e inovações mais promissoras produzidas pelos NEA para serem apoiadas por políticas públicas de fomento aos bioinsumos” e, também, do Relatório de Pesquisa n.º 4, “Análise dos resultados dos editais e ações de apoio aos NEA”, ambos elaborados durante o projeto de pesquisa no LERU/UFSC “Contribuições dos núcleos de estudo em agroecologia e produção orgânica para o desenvolvimento e sistematização de tecnologias e inovações”.

    A pesquisa que gerou estes relatórios compôs uma agenda de pesquisa maior coordenada por Regina Helena Rosa Sambuichi, da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Dirur/Ipea), no escopo do Termo de Execução Descentralizada n.º 03/2021, celebrado entre o Ipea e a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SDA/Mapa), para avaliação do Programa Nacional de Bioinsumos, realizada de 2022 a 2024.

    Os resultados do artigo publicado na Edição Especial evidenciam duas principais racionalidades técnico-científicas: uma de caráter experimental, analítico e estabilizador; e outra sistêmica, territorializada e relacional. A análise demonstra como diferentes formas de produzir conhecimento articulam ciência, práticas sociais e dinâmicas ecológicas, contribuindo para a institucionalização da agroecologia.

    O estudo destaca, ainda, o papel dos NEA na coprodução do conhecimento agroecológico, por meio das relações entre universidades, territórios e sujeitos sociais. A pesquisa identifica diferentes formas de institucionalização — científico-institucional, territorial-relacional e científico-territorial —, ressaltando a diversidade de caminhos pelos quais a agroecologia se consolida no ambiente acadêmico e em sua relação com a sociedade. A publicação é marco importante para a divulgação científica e a consolidação da agroecologia no Brasil, e pode ser acessado Aqui. Além de Daniela Aparecida Pacífico, assinam o artigo Carla Gualdani, Regina Helena Rosa Sambuichi, Mariana Aquilante Policarpo, Fábio Alves, Felipe Bratz e Patrícia Barcelos Valiente Umann.


  • Pesquisadores do LERU publicam capítulo sobre políticas públicas e bioinsumos na América Latina e no Caribe

     Os pesquisadores Felipe Bratz e Daniela Aparecida Pacífico, membros do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), são autores do capítulo “Políticas públicas e ações normativas de uso de bioinsumos em países da América Latina e do Caribe”, publicado em 2026 no livro Insumos agropecuarios y políticas públicas en América Latina: innovaciones, regulaciones y desafíos, pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com sede em San José, Costa Rica. O capítulo conta ainda com a coautoria de Mariana Aquilante Policarpo e Regina Helena Rosa Sambuichi.

    Organizada por Frédéric Goulet, Harold Gamboa, Catia Grisa, Ana Posas Guevara e Monica Rodrigues, a obra reúne pesquisas sobre as relações entre insumos agropecuários, políticas públicas e transformações dos sistemas agroalimentares na América Latina. A publicação integra uma iniciativa da Rede de Políticas Públicas e Desenvolvimento Rural na América Latina e no Caribe (PP-AL), em articulação com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o IICA. A proposta é analisar como os Estados e outros atores atuam na regulação e na promoção dos insumos agropecuários, considerando desafios econômicos, ambientais e sanitários, além das perspectivas de inovação, sustentabilidade e autonomia regional. Em especial o capítulo citado examina as políticas públicas e os marcos normativos relativos ao uso de bioinsumos nos países da América Latina e do Caribe. Ao analisar diferentes abordagens regulatórias, a contribuição permite compreender como os instrumentos de ação pública participam da orientação das trajetórias tecnológicas da agricultura e da promoção de alternativas aos insumos convencionais.

    A temática dialoga diretamente com os Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia (CTS/STS), campo de estudo abordado no LERU, ao permitir compreender os bioinsumos não apenas como soluções técnicas, mas como parte de processos sociotécnicos que envolvem conhecimentos científicos, interesses econômicos, instituições públicas, instrumentos regulatórios e práticas agrícolas. Essa perspectiva evidencia que as tecnologias e as políticas públicas se constituem nas relações entre diferentes atores, instituições e conhecimentos, que influenciam quais alternativas são desenvolvidas, regulamentadas e incorporadas aos sistemas agroalimentares.

    A publicação é uma releitura do primeiro Relatório de Pesquisa, de quatro relatórios elaborados por Felipe Bratz no âmbito de uma investigação coordenada, no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por Regina Helena Rosa Sambuichi. Realizada entre 2022 e 2024, a pesquisa integrou o Termo de Execução Descentralizada nº 03/2021, celebrado entre o Ipea e a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SDA/Mapa), para a avaliação do Programa Nacional de Bioinsumos. Na ocasião, Felipe Bratz atuou como consultor técnico especializado vinculado à Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), elaborando os relatórios que subsidiaram a análise.

    O capítulo amplia a circulação dos resultados dessa pesquisa e contribui para o debate latino-americano sobre políticas públicas, regulação e desenvolvimento de bioinsumos. Para o LERU, a publicação evidencia a contribuição da pesquisa desenvolvida em cooperação institucional para compreender como instrumentos regulatórios e tecnologias participam das transformações da agricultura e das relações entre ciência, Estado e desenvolvimento rural.

    Haverão dois eventos sobre o livro.

    O primeiro, nos dias 20-22 de outubro, Escola Virtual da Red PP-AL.
    Programação da Escola Virtual

    O segundo é o encontro de lançamento do livro, nos dias 10 e 11 de novembro, no Rio de Janeiro.

    Seminário Internacional, inscrição e programação

    Acesse o Livro e o capítulo completo: Políticas públicas e ações normativas de uso de bioinsumos em países da América Latina e do Caribe (PDF).

    Referência do capítulo:

    BRATZ, Felipe; POLICARPO, Mariana Aquilante; SAMBUICHI, Regina Helena Rosa; PACÍFICO, Daniela Aparecida. Políticas públicas e ações normativas de uso de bioinsumos em países da América Latina e do Caribe. In: GOULET, Frédéric; GAMBOA, Harold; GRISA, Catia; GUEVARA, Ana Posas; RODRIGUES, Monica (ed.). Insumos agropecuarios y políticas públicas en América Latina: innovaciones, regulaciones y desafíos. San José, Costa Rica: IICA, 2026. p. 221–246. ISBN 978-92-9273-283-7.


  • Estudante do LERU é aprovado em seleção para dupla diplomação na França

    Vinicius Dequi Forcelini, estudante da 6ª fase do Curso de Graduação em Agronomia, do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e membro do Laboratório de Estudos Rurais (LERU), foi aprovado no Edital nº 01 de Seleção – 2027, que oferece bolsas de estudo para a França no âmbito do programa CAPES/BRAFAGRI.

    A oportunidade integra o projeto de intercâmbio Formação para ação na agricultura familiar frente a mudanças globais – AGRIFAM 2 (2026–2029), financiado pela CAPES e coordenado pelo professor Paulo Emilio Lovato. Durante o intercâmbio, Vinicius realizará a dupla diplomação em uma das instituições francesas com acordo vigente com o curso de Agronomia do CCA/UFSC: Bordeaux Sciences Agro ou Institut Agro Dijon.

    Integrante de diferentes iniciativas do LERU, Vinicius participa, há 2 anos, do Projeto de Extensão Ciclo de Encontros Temáticos, coordenado pela professora Daniela Aparecida Pacífico e, desde 2024, do Projeto de Extensão Inclusão produtiva com segurança sanitária da farinha de mandioca artesanal de Garopaba/SC, coordenado pelo professor Cristiano Desconsi.

    O LERU celebra com orgulho essa conquista, que representa uma importante oportunidade de formação acadêmica e internacionalização, além de reconhecer a trajetória e o envolvimento do estudante nas atividades de ensino, pesquisa e extensão.


  • Estudante do LERU é selecionada para expedição do Projeto Rondon em Roraima, em 2027

    A estudante Emille Begnini Zingler, bolsista do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), foi selecionada pela Universidade Federal de Santa Catarina para participar da elaboração de proposta e da futura Operação do Projeto Rondon, prevista para o segundo semestre de 2027, no estado de Roraima.

    A seleção foi realizada por meio do Edital nº 9/2026/PROEX, da Pró-Reitoria de Extensão da UFSC, que selecionou estudantes para participação na operação. A iniciativa integra a atuação extensionista da universidade e prevê o desenvolvimento de atividades junto às comunidades da região.

    Durante a expedição, Emille propõe desenvolver oficinas voltadas à organização comunitária, à cooperação e ao desenvolvimento local, além de atividades educativas com crianças sobre alimentação, sementes, cultivo e produção de mudas de espécies nativas. A proposta busca valorizar os conhecimentos locais, estimular práticas sustentáveis e fortalecer a autonomia das comunidades, aproximando o conhecimento acadêmico das realidades e demandas do território.


  • Pesquisadores do LERU têm trabalho aprovado no PROCOAS

    Pesquisadores do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC) tiveram o trabalho “Políticas públicas, organizações de mulheres rurais e sustentabilidade da vida: uma análise dos instrumentos da ação pública” aprovado para apresentação no XXI Seminário Internacional do Comitê Acadêmico de Processos Cooperativos e Associativos (PROCOAS), da Associação das Universidades do Grupo de Montevidéu (AUGM), no eixo Questão agrária, ambiental e soberania alimentar.

    O trabalho, de autoria de Daniela Aparecida Pacífico, Karolyna Marin Herrera, Cristiano Desconsi e Flavia Soares Ramos, analisa o Edital nº 01/2024 do Programa de Organização Produtiva e Econômica das Mulheres Rurais (OPEMR), buscando compreender como os instrumentos da ação pública podem induzir e fortalecer formas de organização coletiva associadas à sustentabilidade da vida nos territórios rurais.

    A pesquisa articula a abordagem da instrumentação da ação pública à análise das políticas voltadas às mulheres rurais. Os resultados mostram que os critérios de elegibilidade e priorização do edital valorizam trajetórias organizativas, práticas agroecológicas, estratégias de comercialização e participação em redes e movimentos sociais. Ao mesmo tempo, o estudo identifica desafios relacionados ao acesso à informação e à capacidade das organizações de conhecer, interpretar e mobilizar os instrumentos das políticas públicas.

    A submissão de trabalho ao Seminário do PROCOAS articula à atuação da professora Daniela Aparecida Pacífico como membro no projeto “Dinâmicas cooperadas e descentralizadas de abastecimento de alimentos orgânicos e agroecológicos”, coordenado pelo professor Oscar José Rover, do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF), do CCA/UFSC. O projeto é financiado pelo Edital nº 16/2024 do Programa CAPES-AUGM, publicado em 8 de julho de 2024, que selecionou projetos conjuntos de pesquisa e mobilidade acadêmica entre instituições brasileiras e universidades da Associação de Universidades do Grupo Montevidéu (AUGM). O projeto reúne pesquisadores e instituições do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile — UFSC e UFG (Brasil), UNQ e UNC (Argentina), UDELAR (Uruguai) e UPLA (Chile) — e tem vigência de janeiro de 2025 a dezembro de 2028.

    Nesse sentido, o trabalho aprovado no PROCOAS dialoga diretamente com a temática do projeto, ao abordar organização coletiva, políticas públicas, agroecologia, redes e estratégias de sustentabilidade nos territórios rurais. A participação de Daniela nesse projeto amplia, assim, as possibilidades de articulação entre as pesquisas desenvolvidas no LERU e a rede acadêmica latino-americana da AUGM (Associação de Universidades Grupo Montevidéu).

    O PROCOAS constitui um dos espaços de encontro e intercâmbio das universidades integrantes da AUGM, reunindo pesquisadores de diferentes países para o diálogo sobre cooperativismo, associativismo e temas relacionados. O trabalho integrará a sessão “Acesso à terra e diferentes olhares para a sustentabilidade da vida”, que reunirá pesquisas sobre políticas públicas, acesso à terra, organização coletiva, gênero, economia solidária e sustentabilidade dos territórios.

    A proposta do encontro é colocar em diálogo diferentes experiências e refletir sobre como as políticas públicas podem incorporar aprendizagens e perspectivas construídas pelos próprios sujeitos e coletivos nos territórios, fortalecendo a cooperação acadêmica e a construção de agendas comuns entre as universidades da AUGM.

    Resumo


  • Professor do LERU participa de ateliê de pesquisa internacional sobre transformação digital e agricultura

    Pesquisador do LERU/UFSC e do PPGAdm apresentou avanços de pesquisa sobre ecossistemas de inovação, financiamento rural e tecnologias digitais na comercialização da agricultura familiar, no âmbito do projeto Transformation numérique et politiques dans l’agriculture et les territoires ruraux (DIGIPOLAGRI), financiado pela Agence Nacionale de la Recherche.

    Nos dias 17 e 18 de setembro de 2026, o professor Cristiano Desconsi, vinculado ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ao Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAdm/UFSC), participou do ateliê de pesquisa do projeto, que reuniu pesquisadores envolvidos no desenvolvimento das diferentes frentes de investigação do projeto, com o objetivo de compartilhar avanços, discutir resultados preliminares e planejar as próximas etapas de trabalho na França e no Brasil.

    Coordenado por Jean-François Le Coq, do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD), o DIGIPOLAGRI investiga as transformações digitais na agricultura e suas implicações para as políticas públicas, os modelos agrícolas e as transições ecológicas nos territórios rurais. A pesquisa reúne instituições brasileiras e francesas, incluindo o LERU e o PPGAdm da UFSC, o Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), além de equipes de pesquisa francesas.

    O projeto, iniciado em outubro de 2025, tem duração prevista de 48 meses e busca compreender como diferentes trajetórias de inovação digital influenciam a organização da agricultura, o acesso a recursos, o financiamento, a comercialização e a gestão dos estabelecimentos agrícolas.

    Durante o ateliê, Cristiano Desconsi apresentou os avanços das investigações desenvolvidas no Brasil, com destaque para o trabalho do grupo de pesquisa responsável pelo eixo dedicado aos ecossistemas de inovação e às transformações das organizações agrícolas.

    A apresentação abordou a construção de referências teóricas para compreender as mudanças na gestão e nas organizações, mobilizando contribuições da sociologia, da economia, da antropologia e dos estudos sociais da ciência e da tecnologia. Também foram apresentados os primeiros movimentos de aproximação com atores dos ecossistemas de inovação, incluindo contatos exploratórios com a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) e o planejamento de um mapeamento de fusões e aquisições envolvendo agtechs e fintechs.

    Parte do trabalho de campo foi realizada durante o Startup Summit 2026, ocorrido entre 26 e 28 de agosto, em Florianópolis (SC). A participação no evento teve como objetivos acompanhar trajetórias de agtechs, estabelecer contatos com fundos de investimento de capital de risco (venture capital) e identificar fintechs e experiências relacionadas à inovação financeira e ao crédito destinado à agricultura.

    A apresentação também destacou os desafios encontrados na aproximação com empresas do setor financeiro digital, indicando a necessidade de explorar novas estratégias de contato para viabilizar as próximas etapas da pesquisa de campo.

    Outro eixo apresentado pelo professor foi o estudo sobre as fintechs e suas relações com o financiamento rural. A investigação busca compreender a participação dessas empresas nas transformações recentes dos mecanismos de crédito agrícola e as condições para o desenvolvimento de pesquisas junto a esses atores. O professor apresentou ainda os avanços do estudo de caso sobre tecnologias digitais voltadas à gestão da comercialização em cooperativas da agricultura familiar. A pesquisa pretende analisar as implicações dessas ferramentas para os processos de gestão e organização das cooperativas, com atenção a tecnologias como lojas virtuais e plataformas digitais utilizadas na relação com a administração pública.

    Estão previstas investigações junto a três cooperativas: a Coopernatural, vinculada à produção orgânica; a Cooperlat, do setor de produtos lácteos; e a Bionatur, dedicada a sementes agroecológicas. O planejamento apresentado prevê a realização de levantamentos junto às cooperativas e a elaboração dos itinerários de pesquisa para aprofundar a análise desses casos.

    Essas investigações deverão produzir dados tanto para pesquisas acadêmicas individuais quanto para as análises desenvolvidas nos diferentes eixos do DIGIPOLAGRI. A apresentação também indicou a perspectiva de explorar outros casos relacionados à digitalização da agricultura, incluindo o tema da rastreabilidade por meio da plataforma JetBov.

    Além da apresentação dos avanços das pesquisas brasileiras, o ateliê constituiu um espaço de discussão transversal entre as equipes envolvidas nos diferentes eixos do projeto. A programação contemplou o compartilhamento do andamento dos trabalhos na França e no Brasil, o planejamento das próximas atividades e a reflexão sobre as relações entre digitalização das políticas públicas, transformação digital da agricultura e transição ecológica.

    A participação do professor Cristiano Desconsi reforça a inserção do LERU/UFSC e do PPGAdm em uma rede internacional de pesquisa dedicada a compreender as mudanças tecnológicas e organizacionais na agricultura contemporânea. Ao investigar as relações entre inovação digital, financiamento, comercialização e organização da agricultura familiar, o trabalho contribui para ampliar o conhecimento sobre como as tecnologias digitais são incorporadas aos sistemas agrícolas e sobre seus possíveis efeitos nos territórios rurais, considerando a diversidade de produtores, organizações e modelos de desenvolvimento agrícola.


  • Farinha artesanal de mandioca de Garopaba: articulação busca viabilizar fornecimento para a merenda escolar

    Reunião entre UFSC, Epagri e secretarias municipais definiu estratégias para ampliar a participação dos engenhos locais no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

    No dia 27 de agosto, representantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e de diferentes secretarias municipais reuniram-se na Secretaria Municipal de Educação de Garopaba (SC) para discutir estratégias de inclusão da farinha artesanal de mandioca produzida nos engenhos do município na alimentação escolar, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

    O encontro foi coordenado pelo Escritório Municipal da Epagri e integrou as ações do projeto “Inclusão Produtiva com Segurança Sanitária da Farinha Artesanal de Mandioca de Garopaba”, coordenado pelo professor Cristiano Desconsi, e projeto vinculado ao Laboratório de Estudos Rurais (LERU) da UFSC.

    Participaram da reunião, pelo LERU/UFSC, o professor Cristiano Desconsi; Tiago Bini, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAdm/UFSC); e Victória Scharcow de Vargas, bolsista voluntária. Também estiveram presentes nutricionistas da Secretaria Municipal de Educação, extensionistas dos escritórios Municipal e Regional da Epagri, representantes das Secretarias Municipais de Cultura, Agricultura e Pesca e Saúde, incluindo a Vigilância Sanitária.

    Durante a reunião, foram discutidos os principais desafios fiscais, sanitários e organizativos que precisam ser enfrentados para viabilizar a compra da farinha artesanal de mandioca produzida nos engenhos de Garopaba para a merenda escolar do município.

    Garopaba já realizou aquisições de farinha artesanal de mandioca por meio do PNAE, provenientes de empreendimentos da agricultura familiar. Entretanto, essas compras ainda não contemplaram os engenhos de farinha localizados no próprio município. A discussão concentrou-se, portanto, na identificação das condições necessárias para que os produtores locais possam acessar essa oportunidade de comercialização, considerando as exigências envolvidas na aquisição e no fornecimento de alimentos para a rede pública de ensino.

    A aproximação entre os setores responsáveis pela alimentação escolar, pela agricultura, pela extensão rural e pela vigilância sanitária constitui uma etapa importante para identificar possíveis adequações, esclarecer procedimentos e construir alternativas que articulem a produção artesanal às demandas da política pública de alimentação escolar.

    Como encaminhamento, foram definidas estratégias conjuntas a serem desenvolvidas nos próximos meses, com o objetivo de avançar na superação dos desafios identificados e viabilizar o fornecimento da farinha artesanal de mandioca pelos engenhos do próprio município a partir do próximo ano.

    A iniciativa busca aproximar a produção tradicional de farinha das oportunidades de comercialização oferecidas pelas políticas públicas, fortalecendo os vínculos entre agricultura familiar, produção artesanal e alimentação escolar.

    Para o projeto desenvolvido pelo LERU/UFSC, essa articulação representa um passo importante na construção de alternativas de inclusão produtiva associadas à segurança sanitária da farinha artesanal de mandioca. Ao reunir diferentes instituições e áreas de atuação, o trabalho contribui para a valorização dos engenhos locais, dos conhecimentos envolvidos na produção tradicional e das possibilidades de inserção desse produto nas compras públicas municipais.

    A continuidade das ações dependerá do trabalho conjunto entre os atores envolvidos, buscando criar condições para que a farinha artesanal produzida em Garopaba possa integrar, de forma efetiva, a alimentação escolar e fortalecer a relação entre produção local e políticas públicas.


  • Oficina de culinária africana promove troca de saberes e celebra culturas da Guiné-Bissau e do Haiti na UFSC

    O Laboratório de Estudos Rurais (LERU), do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizou, no dia 25 de setembro, a Oficina de Culinária Africana | Especial Guiné-Bissau e Haiti. A atividade ocorreu das 13h às 17h, na Usina da CAL/CCA/UFSC, como parte das ações do Projeto de Extensão Ubuntu: Africanidades, identidades, costumes, culturas e práticas alimentares.

    Mais do que ensinar receitas, a oficina foi proposta como um espaço de encontro, troca de saberes e internacionalização dentro da própria universidade, aproximando estudantes e comunidade acadêmica de diferentes culturas, histórias e práticas alimentares.

    A realização da atividade teve um significado ainda mais especial para os estudantes guineenses por ocorrer na semana em que a Guiné-Bissau celebrou 53 anos de sua independência, comemorada em 24 de setembro. Compartilhar o Sigá e outros elementos da cultura guineense nesse período festivo tornou a oficina também uma oportunidade de celebrar o país, manter vivas memórias e tradições e compartilhar com a comunidade universitária parte de sua história e identidade.

    A oficina partiu de uma compreensão ampliada da internacionalização. Para além de intercâmbios e da mobilidade de estudantes para outros países, a internacionalização também acontece quando diferentes pessoas, culturas, histórias e conhecimentos se encontram dentro da própria universidade.

    Nesse sentido, o Ubuntu constitui uma experiência de internacionalização em casa, na qual os estudantes africanos ocupam lugar central na construção das atividades e no compartilhamento de seus conhecimentos. Como destacado na abertura da oficina, a proposta não era simplesmente aprender receitas, mas aprender com os estudantes, reconhecendo suas experiências, memórias e práticas como parte da diversidade de saberes que a universidade deve valorizar.

    Um dos princípios que orientaram a atividade foi a compreensão de que o conhecimento não circula em uma única direção. O Projeto Ubuntu foi apresentado como uma iniciativa construída pelos próprios estudantes e compartilhada com a UFSC.

    “Nós ensinamos, vocês ensinam; nós compartilhamos, vocês compartilham. E, nesse encontro, todos nós aprendemos”, destacou a professora Daniela Aparecida Pacífico, supervisora do LERU e coordenadora do Projeto Ubuntu, em sua fala de abertura da atividade. Essa perspectiva expressa um dos sentidos do Ubuntu: a compreensão de que as pessoas se constituem nas relações com os outros e de que o conhecimento também é produzido e compartilhado coletivamente.

    A abertura da atividade também trouxe reflexões sobre a importância de compreender a alimentação para além do preparo e do consumo dos alimentos, considerando as relações sociais, econômicas e territoriais envolvidas em sua produção. Como destacou o professor Valmir Luiz Stropasolas, durante sua fala na abertura da oficina, “compreender sobre a origem dos alimentos, sobre quem produz e como produz é parte constituinte de qualquer discussão sobre alimentação”. Essa perspectiva amplia o olhar sobre a comida, conectando as práticas culinárias às pessoas que produzem os alimentos, aos seus modos de vida e aos sistemas de produção que sustentam a alimentação.

    A culinária foi, assim, o ponto de partida para abordar temas que ultrapassam o preparo e o consumo dos alimentos. Ingredientes, receitas e formas de preparar e compartilhar uma refeição carregam memórias, identidades, territórios, histórias familiares e modos de produzir e viver.

    Ao cozinhar juntos, os participantes puderam não apenas conhecer diferentes preparações, mas também conversar sobre as histórias e experiências associadas a elas. A alimentação tornou-se, assim, uma forma de aproximar pessoas e culturas.

    A realização da oficina também contou com a colaboração do grupo de agricultores agroecológicos Flor do Fruto, de Biguaçu (SC), responsável pela feira semanal realizada no CCA/UFSC. O grupo realizou a doação de alimentos diversificados utilizados na preparação dos dois pratos da oficina, contribuindo diretamente para a realização da atividade e para a valorização da produção agroecológica e da agricultura familiar. O Projeto Ubuntu e o LERU registram seu agradecimento aos agricultores, na pessoa do agricultor e agrônomo Anderson Luís Romão, “grande parceiro de nossos projetos”. Essa colaboração reforça a importância de aproximar a universidade dos agricultores e de reconhecer que as experiências alimentares também envolvem relações de cooperação, produção e compartilhamento. Da mesma maneira, registramos agradecimento a cineasta Iara Lee e a Cultures of Resistance Network Foundation pela doação dos demais ingredientes que compuseram as receitas.

    A programação também buscou destacar a diversidade do continente africano. África reúne diferentes povos, países, línguas, histórias, territórios, ingredientes, técnicas culinárias e tradições. Por isso, conhecer uma preparação específica é apenas uma porta de entrada para essa diversidade.

    A oficina concentrou-se especialmente nas referências culturais da Guiné-Bissau, com a participação de estudantes das etnias Fula e Pepel, e estabeleceu também um diálogo com a cultura e a história do Haiti por meio de sua culinária.

     O Sigá pelas mãos das etnias Fula e Pepel

    Um dos destaques da atividade foi a preparação do Sigá, prato da tradição culinária da Guiné-Bissau, compartilhado pelos estudantes a partir de suas referências e experiências culturais. A preparação permitiu conhecer ingredientes, técnicas e formas de compartilhar o alimento, ao mesmo tempo em que abriu espaço para conversar sobre identidade, pertencimento e transmissão de conhecimentos entre gerações. Para os estudantes guineenses, cozinhar e compartilhar o Sigá justamente na semana de comemoração da independência conferiu à atividade um significado particular: a cozinha tornou-se também espaço de celebração, memória e afirmação cultural. As/os oficineiras/os do Sigá foram os guineenses: Valdinora Alfredo Co, Diana Carlitos Da Silva, Camenamul Upá Nambeué e Antchu Atenca Có, e estudantes de graduação em Agronomia.

     A Soup Joumou e a independência do Haiti

    A programação também trouxe a Soup Joumou, preparação tradicional haitiana associada à história da independência do país. A sopa é tradicionalmente preparada e consumida no dia 1º de janeiro, data em que o Haiti celebra sua independência. Sua história está ligada ao processo de emancipação haitiano e à transformação de uma preparação que era associada às elites coloniais em um importante símbolo da identidade nacional e da liberdade. A Soup Joumou foi inscrita, em 2021, na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, que reconhece também sua dimensão comunitária e seu papel na transmissão de valores culturais e no fortalecimento dos vínculos sociais. Ao reunir estudantes africanos dos quatro cursos de graduação do CCA, bem como estudantes dos cursos de Enfermagem e Medicina da UFSC, professores, representantes da direção do CCA e membros da comunidade externa, a oficina transformou a cozinha em um espaço de diálogo intercultural e construção de relações. As oficineiras da Soup Joumou foram as haitianas: Thamara Colin, estudante de graduação em Agronomia, Ruth-Valine Etienne, médica e estudante de doutorado em Saúde Coletiva, e Nathanaelle Jean Baptiste, enfermeira e estudante de doutorado em Saúde Coletiva.

    A atividade contou também com representantes dos centros acadêmicos, do Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (CEPAGRO), do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF), do Laboratório de Educação do Campo e Estudos da Reforma Agrária (LECERA), do Laboratório de Estudos Rurais (LERU), do Laboratório de Estudos da Multifuncionalidade Agrícola e Território (LEMATE) e da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), além de representantes da Escola Municipal do Rio Vermelho. Lideranças do Quilombo Vidal Martins também haviam confirmado presença. Integrantes do quilombo participam do Projeto Ubuntu, ampliando o alcance comunitário da iniciativa e fortalecendo as possibilidades de diálogo entre a universidade e as comunidades tradicionais.

    A proposta foi experimentar, cozinhar, conversar, perguntar, contar histórias, lembrar de casa e conhecer outras experiências culturais.

    Para o LERU, a atividade reforça a importância de criar espaços em que diferentes sujeitos possam compartilhar seus conhecimentos, culturas, identidades e histórias no cotidiano da universidade. O Projeto Ubuntu materializa essa perspectiva ao transformar a diversidade cultural presente na UFSC em oportunidade de aprendizagem e convivência, articulando também o reconhecimento dos saberes dos estudantes, a valorização dos agricultores e a aproximação com a comunidade externa.

    A atividade não teria sido possível sem o trabalho intenso dos/as bolsistas:  Antchu Atenca Có, Fernando Francisco José Kualala, Ozia Augusta Itamba, e Valdinora Alfredo Co.

    Como sintetiza o próprio princípio que inspira o projeto, “eu sou porque nós somos”.