Pesquisadores do LERU apresentam capítulo de livro no Seminário Nacional sobre Extensão Rural

04/09/2026 19:01

A professora Daniela Aparecida Pacífico, do Laboratório de Estudos Rurais (LERU/UFSC), participou, entre os dias 26 e 28 de agosto de 2026, do Seminário “Extensão Rural no Brasil: Diagnóstico, Governança e Agenda Estratégica”, realizado na Faculdade de Engenharia Agrícola (FEAGRI) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em Campinas (SP).

O evento reuniu autoras e autores dos capítulos que irão compor o livro homônimo, além de pesquisadores, extensionistas e gestores públicos, em um espaço dedicado à apresentação, ao debate e ao aperfeiçoamento coletivo das contribuições sobre os desafios e as perspectivas da extensão rural brasileira.

Na ocasião, a professora Daniela Pacífico apresentou o capítulo “A extensão rural na territorialização da ação pública: mediação, instrumento e territórios de diversidade”, tendo como coautor o professor Cristiano Desconsi, também do LERU. O capítulo analisa como a extensão rural participa da territorialização da ação pública por meio de processos de mediação e de dinâmicas de coprodução das políticas públicas no meio rural.

A reflexão desenvolvida pelos pesquisadores propõe um deslocamento da compreensão da extensão rural como serviço predominantemente técnico e social para entendê-la como uma interface entre Estado, políticas públicas, instituições, sujeitos e territórios. Nessa perspectiva, a extensão não apenas executa políticas, mas participa ativamente da construção das condições para que elas adquiram existência concreta nos territórios. O capítulo retoma resultados de pesquisa realizada no Norte de Minas Gerais, entre 2011 e 2016, durante o acompanhamento da implementação do Plano Brasil Sem Miséria Rural e do cotidiano das equipes de extensão rural. A experiência de campo evidenciou que a implementação das políticas não ocorre pela simples aplicação de regras: envolve interpretação de normas, articulação institucional, negociação de procedimentos, adaptação de ferramentas e mediação de conflitos.

A análise também destaca o papel dos instrumentos de ação pública, mostrando como dispositivos como as Chamadas Públicas de ATER organizam públicos, metas, temporalidades, produtos, monitoramento e prestação de contas, mas, ao mesmo tempo, demandam dos agentes de extensão a capacidade de interpretar critérios, confrontar cadastros com a realidade, localizar famílias, negociar soluções e construir alternativas adequadas às especificidades territoriais.

Um dos principais argumentos apresentados é que a territorialização da ação pública emerge da interação entre diferentes dimensões da diversidade – territorial, institucional, dos públicos e seus conhecimentos, e da rede sociotécnica da qual fazem parte – articuladas por processos de mediação e tradução. Assim, as redes sociotécnicas constituídas em torno dos instrumentos são fundamentais para que as políticas possam operar em contextos rurais heterogêneos.

A partir dessa abordagem, o capítulo aponta três contribuições centrais para pensar a extensão rural: a extensão como mediação estratégica entre Estado e sociedade; a implementação como espaço de produção da própria ação pública; e os limites de modelos excessivamente padronizados diante da diversidade social e produtiva dos territórios.

As discussões realizadas durante o seminário contribuíram, ainda, para a construção de uma agenda estratégica para o fortalecimento da extensão rural brasileira, destacando a necessidade de instrumentos com margens responsáveis de adaptação, reconhecimento da diversidade dos territórios, participação e coprodução dos públicos e valorização do trabalho extensionista de tradução, articulação e negociação.

A participação do LERU no seminário reforça o compromisso do laboratório com a produção de conhecimento e com o debate sobre políticas públicas, ação pública, desenvolvimento rural e extensão rural, contribuindo para aproximar a pesquisa acadêmica dos desafios concretos enfrentados nos territórios brasileiros.

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